Paraná não repassará reajuste da energia
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sexta-feira, 19 de junho de 2009
Andréa Bertoldi<br> Equipe da Folha 
Curitiba - A Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) deve divulgar na próxima semana o índice de reajuste das tarifas de energia da Copel que entra em vigor sempre no dia 24 de junho de cada ano. O novo percentual precisa ser homologado pela diretoria da agência. Nesta semana, o governador Roberto Requião afirmou que a conta de luz dos 3,5 milhões clientes da companhia não irá sofrer aumento por conta do reajuste da Aneel. Ele defende que o aumento levaria a um lucro maior para os acionistas e o Estado teria ganho na arrecadação de ICMS, mas, por outro lado, prejudicaria a economia paranaense.
Para ele, com o crescimento do consumo de energia, a Copel vai recuperar o percentual que não repassou como tarifa na quantidade comercializada e não no preço.
Como o governo do Estado é acionista majoritário da empresa, pode segurar o reajuste e não elevar as contas dos consumidores. A decisão do governador já fez as ações da companhia caírem na bolsa de valores na última semana.
O governo Requião adotou uma política de descontos na conta de luz no início do primeiro mandato em 2003. Naquele ano, a Aneel autorizou um aumento de 25,27% para a Copel e o Estado transformou este percentual em desconto para quem pagasse a conta em dia. Parte deste índice foi repassado em janeiro de 2004 quando a conta ficou 15% mais cara.
Em junho de 2004, a Aneel autorizou um aumento de 14,43% e a Copel repassou 9%. Em fevereiro de 2005, as contas subiram 5%, percentual remanescente ainda de junho do ano anterior. Em junho de 2005, a agência divulgou um reajuste de 7,8% para a estatal paranaense e o governo não aplicou às contas. Em agosto do mesmo ano, a tarifa subiu 4,41%.
Já em junho de 2006, a Aneel autorizou 5,12% e a Copel repassou 3,37% e acabou com os descontos para os consumidores que pagavam a conta em dia. Em 2007, a agência calculou um índice de -1,22% e no ano passado o percentual de aumento foi de 0,04%. Neste ano, as contas ficaram mais caras por conta do aumento do ICMS da energia elétrica que passou de 26% para 28% com a entrada em vigor da minirreforma tributária do Paraná.
O último balanço da Copel referente aos três primeiros meses deste ano aponta um lucro líquido de R$ 272 milhões, valor 6,5% superior ao mesmo período do ano passado.


