O Paraná cedeu às pressões do Ministério da Agricultura e reabriu as divisas com o Estado de Santa Catarina, mas ‘‘com restrições’’ para o trânsito de animais vivos e carne com osso provenientes do Estado vizinho. A decisão foi anunciada ontem pelo secretário da Agricultura Antonio Poloni e pelo presidente da Federação da Agricultura do Paraná e do Fundo de Desenvolvimento da Pecuária (Fundepec), Ágide Meneguette, um dia após o Conselho Estadual de Sanidade Agropecuária (Conesa), entidade que reúne 32 entidades do poder público e da iniciativa privada do Paraná, ter decidido manter as barreiras que impediam a passagem de animais vivos e carne com osso, para que o risco de contaminação da febre aftosa fosse zero.
Também ontem, o Ministério da Agricultura anunciou a existência de mais cinco focos de febre aftosa no Rio Grande do Sul, totalizando 10 focos da doença até agora naquele Estado (ver página 5). Mesmo assim, o ministro Marcus Vinicius Pratini de Moraes decidiu que as restrições contra o trânsito de animais vivos e carne com osso provenientes de Santa Catarina para os demais Estados da Federação deveriam ser suspensas. A decisão foi tomada em reunião realizada em Brasília, da qual participaram os secretários da Agricultura do Paraná, Antonio Poloni; de São Paulo, João Carlos Meirelles; e de Santa Catarina, Odacir Zonta; e o presidente do Fundepec, Ágide Meneguette.
De acordo com o chefe da Divisão Sanitária Animal do Paraná, Felisberto Baptista, a decisão foi embasada num fato novo, que foi a apresentação do secretário da Agricultura de Santa Catarina, Odacir Zonta, que fez uma exposição sobre a rastreabilidade do trânsito de animais que resultou na impossibilidade de contaminação do rebanho catarinense.
Para garantir a imunidade do rebanho de Santa Catarina contra a entrada da febre aftosa, fiscais do Paraná e São Paulo vão reforçar as barreiras instaladas na divisa do Rio Grande do Sul com Santa Catarina. ‘‘São 13 postos fixos que funcionam na divisa, que receberão a ajuda do PR e SP’’, justificou Baptista.
Segundo Baptista, Zonta declarou que desde o aparecimento dos focos de aftosa no Rio Grande do Sul, o Estado de Santa Catarina fez um rastreamento em todos os animais que entraram naquele Estado, procedentes do Rio Grande do Sul. Os animais foram acompanhados durante seis dias, período de incubação da doença, e como não houve nenhuma manifestação, as autoridades sanitárias catarinenses concluíram que eles não estavam contaminados, portanto não oferecem risco para o rebanho catarinense.
As autoridades paranaenses abrem as fronteiras com Santa Catarina, mediante restrições. Com isso, passa a funcionar um novo esquema de fiscalização. No caso de bovinos, ovinos e caprinos, os animais serão submetidos a um período de quarentena de 30 dias, quando farão exames de sangue. A carga só será liberada após descartada a presença da doença.
No caso de suínos, será feita uma inspeção clínica na origem realizada por médico veterinário do Ministério da Agricultura. Se o profissional descartar a ocorrência da doença, lacra a carga que pode ser encaminhada aos demais Estados. Mesmo assim, a fiscalização existente entre Paraná e Santa Catarina ficará alerta para o cumprimento desses procedimentos.

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