Paraná mantêm crescimento no emprego
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sexta-feira, 29 de julho de 2005
Andréa BordinhãoEquipe da Folha 
Curitiba O Paraná apresentou alta na geração de empregos no primeiro semestre sobre o semestre anterior, porém essa alta foi 21% a menos que o mesmo período que em 2004. De janeiro a junho foram gerados 74.578 novas vagas. No mesmo período de 2004, este número foi de 94.540. Apesar de estar com o crescimento desacelarado, o Paraná gerou mais empregos que a média nacional. Os novos empregos do Estado representaram um crescimento de 4,36% (percentual calculado sobre o número total de pessoas já empregadas no Estado - 1,7 milhão). Já o índice nacional cresceu 3,92%
Segundo o Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Sócio-Econômicos (Dieese) do Paraná, a alta taxa de juros que está sendo aplicada pelo Banco Central desde setembro do ano passado e a quebra da safra paranaense este ano são as razães para a queda no nível de emprego do Paraná. Alguns setores também foram afetados pela desvalorização cambial.
Pouco mais de 70% dos empregos gerados de janeiro a junho deste ano estão no interior. Os setores que geraram novos empregos em 2005 foram praticamente os mesmos do ano passado, porém em menor quantidade. Nos seis primeiros meses deste ano a indústria de produtos alimentícios e bebidas foi o setor que mais gerou empregos com 16.280 novos postos de trabalho, seguida pela agricultura (10.541 novas vagas) e pelo comércio varejista (9.529 novas vagas).
Entre os setores que apresentaram as maiores queda em relação ao ano passado estão justamente a agricultura, que em 2004 havia gerado 14.352 empregos, e o comércio, que gerou 12.520 empregos no ano passado. A maior queda, entretanto, foi no setor de madeira e mobiliário, que nos primeiros seis meses de 2004 gerou 5.696 empregos e nos primeiros seis meses deste ano demitiu 1.252 trabalhadores. ''Este setor foi atingido pela valorização do real, que afetou as exportações'', explicou o economista do Dieese-PR, Cid Cordeiro.
O economista salienta que a cosntrução civil, apesar de ter apresentado alta na geração de empregos (2.345 novas vagas), não teve o resultado esperado. ''No primeiro semestre do ano, na comparação com o ano passado, o volume de crédito para a cosntrução cresceu cerca de 30%. Mas o nível de emprego não acompanhou esta média'', afirmou o economista.
Segundo Cordeiro, grande parte dos empregos no Paraná são gerados no primeiro semestre do ano. Com base nisso, a expectativa do Dieese-PR é que 2005 feche com cerca de 90 mil novas vagas. Ano passado o Estado gerou 122.648 empregos. ''Para amenizar a desacelaração é preciso resolver a crise política do País, que afeta decisões de investimentos, e o Banco Central precisa baixar a taxa de juros e indicar que vai continuar baixando nos próximos meses'', analisou o economista.


