A região do Paraná e Santa Catarina continou a manter em agosto taxa de crescimento da arrecadação de impostos e contribuições federais, apesar da terceira queda mensal consecutiva no País. Balanço divulgado ontem pela 9 Região Fiscal da Receita Federal, que abrange os dois estados, aponta aumento de 5,17% no valor recolhido no mês passado, de R$ 7 bilhões, em relação aos R$ 6,663 bilhões do mesmo período de 2011.
O valor já está corrigido pela inflação do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), de 5,24%. Na mesma comparação, o País arrecadou R$ 77,074 bilhões em agosto deste ano, 1,84% a menos do que no período equivalente de 2011. A diferença entre os dois cenários foi sustentada pelo momento da indústria e das importações nos dois estados, segundo o assistente da Superintendência da 9 Região da Receita Federal, Vergílio Concetta.
Ele diz que, apesar de o desempenho industrial do Paraná ter caído nos últimos três meses, estava muito acima do nacional até o meio deste ano. ''Quando a média do Brasil estava em 7%, a paranaense estava em 17%, por exemplo'', conta Concetta.
Sobre as importações, o assistente da Receita afirma que os portos de Paranaguá e de Itajaí (SC) são grandes portas de entrada de importações, que sempre ficam nos dois estados. ''Se por um lado há impacto negativo na produção, por outro contribui na arrecadação.''
O delegado adjunto da Receita Federal em Londrina, David Oliveira, afirma que a expectativa é de que tanto os dois estados quanto o País consigam sustentar um crescimento de arrecadação acima da inflação. ''Temos um aumento do consumo do mercado imobiliário e de bens de consumo até o fim do ano que deve ajudar.''
Porém, apesar de entender que a situação paranaense e catarinense é melhor, ele diz que acredita em volta do crescimento do setor produtivo apenas em janeiro, quando passam a valer medidas do governo federal para estimular a produção. ''A Receita trabalha para aumentar o fluxo de crédito e promover a cobrança de inadimplentes'', conta Oliveira.
Números nacionais
O acumulado do ano da arrecadação em todo o País chega a R$ 673,576 bilhões, crescimento real de apenas 1,45% em relação aos primeiros oito meses do ano passado. Até julho, o aumento estava em 1,89%. ''Se empatarmos de um ano para o outro, já é uma derrota'', explica o delegado adjunto.
Um dos fatores apontados pela Receita para o momento é a queda da produção industrial e a menor lucratividade das empresas no ano ante 2011. Houve ainda queda de 23,29% no acumulado do ano no pagamento de Imposto sobre Operações Financeiras (IOF), pela redução de entrada de moeda no País e nas alíquotas de crédito para pessoas físicas. Por fim, também impactaram os descontos no Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) para setores como móveis, linha branca de eletromésticos e automóveis, entre outros.
Segundo o presidente do Instituto Brasileiro de Planejamento Tributário (IBPT), João Eloi Olenike, a culpa pela situação de queda na arrecadação é do próprio governo. Ele diz que as desonerações de impostos para estimular o consumo e a produção foram muito tímidas e tiveram pouco reflexo. ''Deveria ocorrer uma redução geral no IPI, por exemplo, e não apenas para alguns setores privilegiados'', sugere.

Imagem ilustrativa da imagem Paraná mantém arrecadação em alta e País sofre nova queda
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