Paraná mais do que dobra venda de frango para China
Peste suína no país asiático gera maior demanda também por carne de aves brasileira e exportações pulam de 13,5 mil em maio de 2018 para 28,7 mil t no mês passado
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 25 de junho de 2019
Peste suína no país asiático gera maior demanda também por carne de aves brasileira e exportações pulam de 13,5 mil em maio de 2018 para 28,7 mil t no mês passado
Fabio Galiotto - Grupo Folha 

A demanda chinesa mais do que dobrou as exportações de aves em maio a partir do Paraná. Os embarques de carne de frango para o país asiático foram de 13,5 mil no quinto mês de 2018 para 28,7 mil toneladas (t) no mês passado, uma diferença de 110%, segundo dados da Secex (Secretaria de Comércio Exterior) do Ministério da Economia. O motivo é a maior demanda por proteína animal devido a problemas com a peste suína africana no plantel chinês, que representa metade do mundial.
Também houve crescimento expressivo em relação às 20,4 mil t embarcadas em abril deste ano, uma alta de 40%. Números que fazem o presidente do Sindiavipar (Sindicato das Indústrias de Produtos Avícolas do Estado do Paraná), Domingos Martins, considerar como provável que a demanda chinesa se estabilize em patamares altos durante todo o ano de 2019. “Acredito que esse crescimento se mantenha, mas depende da habilitação de novas plantas para exportação para lá, algo que demora, é burocrático.”
Ele elogia ainda a iniciativa da ministra da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, Tereza Cristina (DEM-MS), de viajar à Ásia para negociar a questão. Com a demanda chinesa, as vendas para todo o globo foram de 127,6 mil em maio do ano passado para 143 mil t no mês passado, avanço de 21%. No acumulado do ano, o Estado o volume embarcado foi de 621,7 mil t, 3,6% acima dos 60,1 mil dos cinco primeiros meses de 2018.
Martins considera que já é possível confirmar a possibilidade de crescimento de no mínimo 5% no setor neste ano, puxado pelas exportações. Ele lembra que o consumo interno, que representa historicamente 70% de tudo o que é produzido, não deve subir muito. “Praticamente todas as empresas aqui instaladas têm condições de fornecer para a China, porque o mesmo frago que vai para o mercado nacional é o que vai para o internacional”, diz o presidente do Sindiavipar. “E existe mercado para todos”, completa.
No mês de maio, a produção chegou a 161 milhões de cabeças de frango no estado, de acordo com números do Sindiavipar. O acumulado no ano é de 773,3 milhões de abates, volume 7,8% superior em relação aos 717 milhões de janeiro a maio de 2018.
Greve dos caminhoneiros
O professor de economia Eugenio Stefanelo, da UFPR (Universidade Federal do Paraná), afirma que a greve dos caminhoneiros que começou em maio do ano passado prejudicou um pouco a base de comparação, mas reconhece que os chineses estão ávidos pela proteína animal brasileira. “São esses aumentos nas exportações que fizeram com que os preços pagos por suínos e aves para o produtor aumentasse. A pecuária brasileira, de forma geral, terá um grande 2019.”
Ao citar números do Deral (Departamento de Economia Rural) da Seab (Secretaria de Estado de Agricultura e Abastecimento), Stefanelo afirma que o valor pago por quilo de frango e suíno, que estava no limite do custo de produção em 2018, avançou consideravelmente. Na média, o avicultor que recebia R$ 2,73/kg passou neste ano a ganhar R$ 2,98. “Mas o preço já bateu em R$ 3,10 há alguns dias”, conta.
Já o quilo do suíno que custava R$ 3,29 no ano passado, chegou a uma média de R$ 3,67 neste ano e a um puco de R$ 4,53. “E esse crescimento não será somente neste ano, porque a reposição do plantel na suinocultura é mais demorado”, completa o economista.


