Paraná lidera ocorrências com ferrugem da soja
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quinta-feira, 21 de fevereiro de 2013
Ricardo Maia<BR>Reportagem Local 
A alta umidade e o calor excessivo propiciaram um aumento na ocorrência da ferrugem da soja no Paraná nesta atual safra. De acordo com dados do Consórcio Antiferrugem, órgão criado para ajudar a mapear a incidência da doença em todo o País, o Paraná já registrou 110 focos da doença. Com esse número, o Estado segue na liderança no volume de infestações contabilizadas neste ciclo, seguido do Rio Grande do Sul com 89 ocorrências e Mato Grosso com 86. Na safra 2011/12 foram registrados no Paraná apenas 20 casos da doença.
De acordo com Luiz Carlos de Castro, supervisor da gerência técnica da cooperativa Coamo, entidade que mais identificou ocorrências e publicou 12 postagens no site do Consórcio Antiferrugem, a doença está presente nas lavouras paranaenses, mas o número divulgado não preocupa, já que é considerado normal devido às condições climáticas. Ele antecipa que não há nenhum índice de perda de produção e produtividade por causa da incidência do fungo nas lavouras.
Castro explica que altas temperaturas e chuvas constantes propiciaram o aparecimento da ferrugem da soja. "Na safra 2011/12 a estiagem limitou a proliferação da doença, por isso foi registrado um índice de incidência baixo no ciclo passado." O supervisor da Coamo completa que o surgimento de certas moléstias é sempre preocupante, mas garante que o bom manejo realizado pelos produtores ajuda a combatê-las. "Os agricultores realizam o controle por meio da aplicação preventiva sempre no momento certo", atesta Castro.
Segundo ele, a maioria dos produtores realiza entre duas e três aplicações de defensivos por safra, o que garante uma boa sanidade da lavoura. Castro explica que os números colocados no site do Consórcio Antiferrugem são baseados em quem posta a ocorrência. "Os números são apenas um indicativo, mas não informam o quanto realmente está ocorrendo de infestações da doença", explica o supervisor da Coamo.
Claudine Seixas, pesquisadora da Embrapa Soja, explica que alguns estados, como o Paraná, possuem uma maior varredura de identificação de doenças, "ou seja, melhor potencial de observação das lavouras", completa. A pesquisadora reitera que o objetivo do consórcio é mostrar ao produtor onde tem ou não focos da doença. "Essa ferramenta dá a oportunidade do produtor fazer a sua prevenção", destaca. Claudine acrescenta que o controle para conter a ferrugem da soja já foi realizado.
Ainda conforme a pesquisadora, não há muito o que fazer quando se identifica a ferrugem da soja na lavoura. Ela explica que a maior parte dos produtores realiza a aplicação antecipada com defensivos, pois no período da colheita não é possível aplicar o agrotóxico. De acordo com o acervo da Embrapa, a ferrugem tem alto poder de destruição da planta, principalmente durante o seu florescimento.
Nessa etapa, o produtor deve estar atento e monitorar constantemente a lavoura. Caso ele encontre alguma folha com suspeita de ferrugem, que nada mais é do que uma mancha amarelada ou de coloração mais escura na folha, ele deve procurar um engenheiro agrônomo para fazer a análise. A partir daí o profissional indicará o tratamento adequado para o problema.
Números
De acordo com o último levantamento realizado pelo Departamento de Economia Rural (Deral), da Secretaria de Estado da Agricultura e do Abastecimento (Seab), ao todo, o Paraná destinou para a soja uma área de 4,63 milhões de hectares, 5% a mais do que se comparado ao ciclo 2011/12. Em produção, o Estado estima colher 15,26 milhões de toneladas da oleaginosa, um volume recorde 41% maior do que a safra anterior. O motivo desse alto crescimento, apontam especialistas do Deral, foi porque no ciclo passado houve quebra de safra devido à estiagem.



