Paraná lidera invasões de propriedades
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terça-feira, 22 de setembro de 1998
Vânia Casado 
Cerca de 18 propriedades agrícolas foram invadidas este ano no Estado do Paraná, fato que eleva para 102 as propriedades ocupadas atualmente por cerca de 9 mil famílias. No total 90 mil hectares de terra estão ocupados pelo Movimento Sem Terra (MST). Este levantameto consta do Relatório de Invasões de Propriedades Rurais, divulgado anualmente pela Federação da Agricultura do Paraná (Faep), desde 1991.
A Faep acusa o MST de utilizar métodos revolucionários e a busca do confronto como estratégia de conduta, o que justifica o envolvimento de suas ações com saques, roubos e invasões de prédios públicos. As informações do relatório foram rechaçadas pelo coordenador do MST, Marinho Staats, que associou a Faep à União Democrática Ruralista (UDR), na defesa do latifúndio.
Outra acusação da Faep se refere ao fato de o MST produzir uma demanda por terras superior à oferta que os órgãos públicos possam apresentar. De acordo com o presidente da entidade, Ágide Meneguette, grupos de brasiguaios, que são pequenos agricultores e assalariados rurais brasileiros que vivem no Paraguai estão sendo arregimentados pelo MST para engrossar o contigente de sem-terras no Estado.Eles são atraídos com a promessa de terra fácil, justificou.
Staats também contestou essa versão ao afirmar que não é culpa do MST que o governo passou os últimos 20 anos expulsando trabalhadores rurais do campo, com a promessa de vida cor-de-rosa nas cidades. Foram eles que produziram essa demanda e agora não estão dando conta, salientou. O cadastramento do MST confirma que cerca de 9 mil famílias estão vivendo em acampamentos em áreas invadidas. Mas argumentou que se fossem fazer um levantamento completo o número de famílias desabrigadas é bem maior.
Sobre os brasiguaios, Staats disse que eles estão procurando o MST espontâneamente. Isso porque agora que não interessam mais como mão-de-obra barata ao governo paraguaio, não estão conseguindo o visto de permanência e não resta outra alternativa senão voltar ao país de origem, alegou.
Para Meneguette, o MST tem como princípio o acerto de contas e a revanche entre sem-terras e produtores rurais. O MST tem como tática o confronto e a intimidação. Com isso eles dão a entender à sociedade que quando invadem as áreas, é uma questão de justiça social, afirmou. E quando os produtores rurais defendem seus patrimônios, ou a Justiça concede reintegração de posse, as ações violentas são legitimadas, acrescentou.


