A contratação de crédito rural na safra rural 2010/2011 no País bateu um recorde dos últimos dez anos com uma aplicação total de R$ 94,1 bilhões. Só de custeio e comercialiazação, foram injetados R$ 71,3 bilhões (dos R$ 75,5 bi programados), um crescimento de 9,8% em relação ao ano safra 2009/2010. De acordo com o Anuário Estatístico do Crédito Rural do Banco Central - que considera o ano civil - os financiamentos com as lavouras de milho, café, trigo, soja, arroz, cana e algodão responderam por 83% das operações no ano passado, sendo que o Paraná lidera os financiamentos, seguidos por São Paulo, Rio Grande do Sul e Minas Gerais. Os dados são de diversas entidades ligadas ao agronegócio e foram trabalhados pela economista Tânia Moreira, da Federação da Agricultura do Estado do Paraná (Faep).
De acordo com a economista, a produção nacional estimada em 162,5 milhões de toneladas e os preços mais elevados em comparação a média histórica são os principais fatores para o recorde em crédito rural desde 2002. ''As regiões sul e sudeste são as que mais contrataram créditos de custeio e comercialização, com o Paraná em primeiro lugar''.
Dessa categoria de crédito, 77% foram tomados a juros entre 6,25% e 6,75% ao ano. As aplicações do Pronamp, linha de crédito específica para o médio produtor rural, tiveram a maior ascensão: 60,7% em relação a safra anterior. Já em relação às linhas de investimento ligada a maquinários, a Moderfrota - para tratores e implementos - chegou a apenas 1,2% do total programado, com o maior declínio entre as linhas de investimento. Em contrapartida, a linha do BNDES PSI teve um crescimento de 29,2%, superando o valor programado com a aplicação de R$ 5,8 bilhões. ''Esta diferença entre estas duas linhas, em específico, aconteceu devido à discrepância das taxas de juros: 9,5% ao ano da linha Moderfrota e 5,5% (na maior parte dos meses) do BNDES'', avalia a economista.
O Anuário Estatístico do BC aponta ainda que das operações de investimento agrícola em 2010, o Paraná respondeu por 20% do que foi contratado para o financimento de tratores nacionais, perdendo apenas para o Rio Grande do Sul. Em relação a colheitadeiras nacionais, o Estado ficou com 19,67% dos contratos e 5,6% voltados para reflorestamento, ficando na quarta colocação. ''Para a safra verão de 2011/2012, as operações de custeio no País estão programadas em 107,2 bilhões, um aumento de 7,2% em relação a safra passada''.
Na agricultura familiar, o Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf) sofreu uma pequena retração de 0,7%, sendo utilizados R$ 11,3 bilhões dos R$ 16 bilhões programados para a safra 2010/11. O Paraná respondeu por 13% de todo esse valor, com maiores porcentagens destinados para as lavouras de soja (53,1%) e milho (33,41%). Os estados que lideraram esse tipo de financiamento foram Rio Grande do Sul, Minas Gerais e Santa Catarina, respectivamente. A estimativa para a a próxima safra é que sejam destinados para o Estado R$ 2,4 bilhões. ''É um valor que consideramos o suficiente para o Paraná'', conclui a economista.

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