A Associação Norte Paranaense de Revendedores Agroquímicos (Anpara) comemora nesta semana a marca de 10 milhões de embalagens recolhidas ou 3,5 mil toneladas de materiais descartáveis. Criada em janeiro de 2002 no município de Cambé, a entidade atende hoje 32 municípios na região. De acordo com Irineu Zambaldi, diretor técnico da Anpara, esse resultado se deu por meio de muito trabalho e envolvimento de toda a cadeia produtiva. ''A organização não trabalha sozinha, contamos com o apoio das cooperativas e também do Instituto Nacional de Processamento de Embalagens Vazias (Inpev) para chegarmos a esse resultado'', salienta.
Por ano, a Anpara recebe na central de Cambé em torno de 1,5 milhão de embalagens. Desse total, 93% são direcionadas para reciclagem e 7% são incineradas. Para dar conta de toda essa demanda, a organização conta com o apoio de 500 colaboradores que atuam nas unidades da entidade. Zambaldi conta que no Paraná a logística reversa voltada para embalagens de defensivos agrícolas começou com o programa Terra Limpa. ''Por isso, quando foi criada a Lei 9.974/2000 e o Decreto 4074/2002 que, resumidamente, estabeleceram critérios para o descarte correto de embalagens fitossanitárias, o Estado já possuía infraestrutura para a aplicação da logística reversa'', explica.
Zambaldi frisa que o sistema de recolhimento não só da Anpara, mas de todo o Brasil, é um exemplo para o mundo. Segundo ele, nos Estados Unidos é comum ver na zona rural produtores queimando frascos de agrotóxicos no meio da lavoura. ''Os nossos produtores são conscientes quando a questão é a devolução das embalagens de defensivos'', enfatiza. O diretor técnico completa que quase todo o material que entra na unidade é reaproveitável. Depois que chega na central, os frascos são divididos em 13 tipos de materiais, sendo que cada um tem uma determinada destinação.
''Hoje só não entrega quem não quer''. Zambaldi completa que com a coleta itinerante, quando uma vez por mês um caminhão da entidade passa nas regiões mais distantes recolhendo os frascos de produtores que não têm condições de levar até a central, não tem mais desculpa para não entregar o material. Antonio Percinoto, gerente de marketing da Belagrícola, uma das empresas parceiras da Anpara, afirma que o passivo ambiental na região era muito grande antes dos trabalhos da associação. ''Vimos na entidade a solução de nossos problemas'', observa Percinoto.
Destinação
De acordo com o Inpev, de janeiro a setembro deste ano, o Paraná recolheu 3.641 toneladas de embalagens de defensivos agrícolas. O volume foi 4% superior ao total coletado no mesmo período do ano passado. De acordo com o último levantamento realizado pela entidade, 14 estados apresentaram aumento na destinação, se comparados os mesmos meses de 2011 e 2012.
Os que mais retiraram embalagens do campo neste período foram: Paraná, São Paulo, Goiás, Rio Grande do Sul, Minas Gerais e Santa Catarina, que juntos corresponderam a 55% do total retirado do campo no Brasil. Alagoas, Pará e Tocantins foram os estados que obtiveram maior crescimento percentual. De acordo com Irineu Zambaldi da Anpara, com base no Instituto das Águas, o Paraná destina de forma correta, 98% das embalagens de agrotóxicos. Na média nacional, o índice é de 95%.

Imagem ilustrativa da imagem Paraná já recolheu 10 milhões de embalagens vazias
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