Paraná intensifica ações sanitárias para proteger aviários
Medidas preventivas foram adotadas após confirmação de caso da Doença de Newcastle em criação de perus em Santa Catarina
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 21 de outubro de 2026
Medidas preventivas foram adotadas após confirmação de caso da Doença de Newcastle em criação de perus em Santa Catarina

A Adapar (Agência de Defesa Agropecuária do Paraná) intensificou as ações de vigilância sanitária em todo o Estado após a confirmação de um caso da Doença de Newcastle em uma granja de perus no município de Nova Itaberaba, no Oeste catarinense. As medidas preveem atenção especial aos estabelecimentos avícolas comerciais, buscando prevenir a introdução e a disseminação da doença em território paranaense.
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A confirmação pelo Ministério da Agricultura e Pecuária do caso da doença em Santa Catarina, no último domingo (18), já causou reações de importantes mercados externos consumidores da carne de ave produzida no Paraná. A China e o México, dois dos três maiores compradores em 2025, já anunciaram a suspensão das importações. O México suspendeu totalmente as compras de carne de frango e outros produtos avícolas do Brasil e o país asiático, por enquanto, suspendeu temporariamente a importação de carne de frango de 14 estabelecimentos localizados em Santa Catarina. O Chile aplicou suspensão restrita às importações procedentes de produtores catarinenses.
A granja em Nova Itaberaba foi interditada e passa por ações de contenção, com monitoramento de cerca de 1,6 mil propriedades na região. A Doença de Newcastle é causada por um vírus altamente contagioso que ataca aves domésticas e silvestres, afetando o sistema respiratório, nervoso e digestivo. Não há risco de contaminação para humanos pelo consumo de carne de aves ou ovos inspecionados.
“As equipes do Serviço Veterinário Oficial permanecem mobilizadas para o acompanhamento das condições sanitárias dos plantéis, a realização de fiscalizações nas propriedades e a investigação imediata de eventuais suspeitas de doenças”, informou, em nota, a assessoria de comunicação da Adapar. O órgão disse ainda que reforçou as orientações aos produtores e responsáveis técnicos sobre a necessidade de manter rigorosamente as medidas de biosseguridade, especialmente o controle de acesso às granjas, a integridade das estruturas dos aviários, os procedimentos de limpeza e desinfecção e a prevenção do contato com aves silvestres e sinantrópicas, as aves silvestres adaptadas ao convívio humano.
Paralelamente, a agência intensificou o trânsito de aves vivas, especificamente frangos e perus, tanto nos postos fixos localizados nas divisas estaduais quanto nas operações volantes realizadas no interior paranaense. Nessas ações, são verificadas a documentação sanitária, a origem e o destino das cargas e o cumprimento das exigências aplicáveis ao transporte, incluindo os procedimentos de limpeza e desinfecção dos veículos. “Nosso principal objetivo é atuar preventivamente, fortalecendo a vigilância nas propriedades, orientando os produtores e identificando precocemente qualquer situação que possa representar risco à sanidade da avicultura paranaense”, destacou a Adapar.
O Paraná mantém um programa permanente de vigilância epidemiológica para Influenza Aviária de Alta Patogenicidade e Doença de Newcastle, envolvendo ações de vigilância ativa e passiva em estabelecimentos avícolas de diferentes categorias. Nos dois últimos ciclos concluídos de vigilância ativa, a Adapar monitorou centenas de propriedades avícolas, com resultados laboratoriais negativos para ambas as enfermidades.
No ciclo 2024/2025, foram monitoradas 434 propriedades, distribuídas em 195 municípios, com participação de 120 fiscais de defesa agropecuária. Já no ciclo 2025/2026, foram monitoradas 487 propriedades em 186 municípios, envolvendo 141 fiscais e equipes de 105 escritórios locais.
O ciclo 2026/2027 está em andamento, com previsão de monitoramento de 476 propriedades, abrangendo 172 municípios, com participação de 143 fiscais de defesa agropecuária.
Além disso, a vigilância passiva é realizada continuamente, a partir de notificações e investigações de suspeitas de doenças nas aves. Todas as investigações realizadas em 2025 e 2026 tiveram resultado negativo.
O Paraná possui uma das maiores cadeias avícolas do país. Em todo o ano passado, o Estado exportou mais de dois milhões de toneladas, o que representou US$ 3,52 bilhões, segundo dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços. Os maiores importadores da produção paranaense foram os Emirados Árabes Unidos, com 200 toneladas, a China, que comprou 132 toneladas, e o México, com 122 toneladas. As vendas aos três países somaram quase US$ 1 bilhão no período.
Neste ano, até o momento, as exportações de produtos avícolas movimentaram 1,76 milhão de toneladas, o que correspondeu a US$ 3,27 bilhões. Os três maiores mercados consumidores foram China, com 190 toneladas, Japão, com 120 toneladas, e Emirados Árabes Unidos, com 162 toneladas.
A Adapar destacou que a negociação para retomada das exportações e o reconhecimento das garantias sanitárias pelos países importadores são atribuições do Ministério da Agricultura, em articulação com as autoridades sanitárias internacionais. A agência estadual contribui com informações oficiais, registros de fiscalização e evidências epidemiológicas que demonstram a atuação permanente do Serviço Veterinário Oficial e sustentam a condição sanitária da avicultura paranaense.
A Adapar reforçou que qualquer suspeita de doença, caracterizada pela ocorrência de sinais clínicos e/ou aumento de mortalidade das aves, deve ser imediatamente notificada ao Serviço Veterinário Oficial para que sejam realizadas as investigações e adotadas as medidas sanitárias necessárias.


Simoni Saris
Repórter com atuação nas áreas de Economia, Infraestrutura e Agronegócio.




