A Secretaria da Agricultura e do Abastecimento está colocando 800 vacinadores em campo durante a segunda etapa da campanha de vacinação contra febre aftosa, iniciada ontem em todo o Estado. Os vacinadores foram recrutados junto às escolas técnicas, faculdades de veterinária e zootecnia e funcionários de prefeituras municipais que foram treinados e credenciados para fazer a vacinação nos animais em áreas de risco.
Nas demais áreas, a vacinação continua sob responsabilidade do pecuarista, informou Felisberto Baptista, chefe da Divisão Sanitária Animal da Secretaria da Agricultura. A meta é vacinar 10 milhões de bovinos e bubalinos até 20 de novembro, quando se encerra a campanha. Para atingir a totalidade de animais existentes no Estado, a Secretaria da Agricultura introduziu a figura dos vacinadores, a novidade dessa campanha. Eles vão se deslocar prioritariamente para as áreas de risco como as propriedades mais distantes, onde o produtor tem mais dificuldades em vacinar seus animais.
De acordo com Baptista, geralmente esse produtor tem dificuldade em comprar as embalagens de vacina, onde o número de doses é bem superior ao número de animais que mantém na propriedade. ‘‘Ou então ele tem mais dificuldades de acesso até a cidade mais próxima.’’ Os vacinadores vão ser deslocados ainda para as propriedades onde os produtores mantêm alta rotatividade na troca de animais, sem se preocuparem com a sanidade.
O Sindicato Nacional da Indústria de Medicamentos de Uso Veterinário (Sindam) avisa que não há problema de falta de vacinas nos estados onde estão sendo realizadas as campanhas de vacinação. O diretor da entidade, Nelson Antunes, admite que pode haver falta de vacinas na região Norte do Paraná, mas disse que se isso ocorrer é por inadimplência das revendedoras. O Sindam mantém em estoque 44,75 milhões de doses de vacina contra febre aftosa no País, portanto não há motivo para falta do produto. ‘‘Mas é claro que as casas comerciais que estão inadimplentes com as compras de outros medicamentos veterinários não receberão as vacinas agora’’, avisa.
Segundo Antunes, a inadimplência está muito séria no Rio de Janeiro, Bahia e Norte do Paraná. Outro problema identificado pelo Sindam e que não pode ser atribuído aos laboratórios é a escassez de embalagens de vacinas com 10 doses. ‘‘Se essas embalagens estão em falta no mercado é por resistência do revendedor, que prefere comprar as embalagens com 40 doses porque é mais fácil guardar na geladeira de sua loja’’, afirmou.
De acordo com o Sindam, entre os meses de setembro e outubro já haviam sido vendidas 6,4 milhões de doses de vacinas no Paraná, um volume de 16,17 milhões de doses já vendidas no Estado esse ano. Antunes acredita que até o final da campanha deverão ser vendidas 9,2 milhões de doses. Antunes lembrou ainda que o preço da vacina permanece inalterado desde maio de 1999. O medicamento está sendo enviado às revendedoras entre R$ 0,59 e R$ 0,64 a dose conforme a quantidade negociada.