Cascavel - Os setores de avicultura e suinocultura da região de Cascavel estão importando milho do Paraguai, como alternativa para driblar a escassez da mercadoria no mercado interno. Somente a avicultura consome 1,3 milhão de toneladas de ração por ano. As importações visam evitar a falta do produto, o que ocasionaria enormes prejuízos para a economia regional. Alguns aviários, inclusive, já fecharam por falta de ração.
As grandes empresas do setor agroindustrial optaram em importar o produto, para regularizar os estoques até o início da colheita da próxima safra, prevista para janeiro de 2003. Estima-se que as empresas da região de Cascavel e Toledo já importaram do país vizinho mais de 50 mil toneladas de milho.
Os grãos são destinados basicamente a produção de ração para aves e suínos. A opção pelo produto do Paraguai se deve ao preço. As empresas chegaram a adquirir a saca de 60 quilos por R$ 20,00. O gerente da fábrica de rações da Globo Aves, Humberto Gonzatto, disse que a importação compensou quando o valor do produto estava baixo. Segundo ele, com a procura, os exportadores paraguaios elevaram os preços aos níveis do Brasil, que na região de Cascavel está em torno de R$ 23,00.
Para Gonzatto, a região terá milho até a próxima safra. Ele acredita que a oferta da mercadoria deverá crescer nas próximas semanas devido a proximidade da colheita da safra de verão. O analista de mercado Tony Silva destaca que o País não é auto-suficiente em milho, por isso a necessidade de importação. ''Este ano a produção ficou muito abaixo do mínimo necessário'', ressalta.
Sobre a ameaça do governo federal confiscar o milho para conter a especulação, Silva diz que a quantidade do produto estocado, principalmente na região de Cascavel, é muito pequena. Ele lembra que a região Oeste é uma das maiores consumidoras brasileiras do cereal e, por isso, não existe a possibilidade da manutenção de estoques.

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