Curitiba - O Paraná gerou 110.903 empregos em 2008, o que representou um crescimento de 5,69%. De acordo com informações do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), este foi o terceiro melhor ano na geração de postos de trabalho desde 1992. Por outro lado, só em dezembro foram fechadas 49.822 vagas, o que significa uma redução de 2,34% e o pior mês de dezembro da série histórica.
O economista do Dieese, Sandro Silva, disse que, os impactos da crise financeira começaram a partir de outubro de 2008. Em dezembro, os setores que mais desempregaram foram indústria de alimentos e bebidas (-11.303 vagas), agricultura (-6.813), indústria têxtil e de vestuário (-3.992), construção civil (-3.610), outros serviços (-3.457), hotéis e restaurantes (-3.078), madeira e mobiliário (-2.585), comércio varejista (-2.127), ensino (-2.057) e as montadoras de veículos (-1.591).
No ano, os setores que mais empregaram foram comércio varejista (26.656 vagas), construção civil (13.713) e outros serviços (10.586). Em 2008, o Paraná ficou com o sexto maior índice de geração de empregos e, em volume de vagas, foi o quarto, só perdendo para São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais. Silva explicou que a agricultura e agroindústria ajudaram no bom desempenho do Estado.
Ainda no ano passado, o setor que menos gerou vagas em relação a 2007 foi a indústria de transformação com 21.797 empregos contra 46.283 no ano anterior. Há cinco segmentos que geraram menos vagas em 2008 em relação a 2007: a indústria de alimentos e bebidas criou 8.928 vagas em 2008 contra 15.935 em 2007; a indústria têxtil e de vestuário gerou 3.329 postos no ano passado contra 6.728 no ano anterior; na indústria mecânica a relação foi de 2.741 vagas contra 3.464; na indústria metalúrgica a relação foi de 2.477 vagas contra 4.042 e na indústria química 1.928 vagas em 2008 contra 3.385 em 2007.
Silva destacou que 65% das demissões no último trimestre do ano (outubro a dezembro) estão concentradas em dez setores entre eles vestuário, abate de suínos e aves, atividades de associações de defesa de direitos sociais, construção de edifícios e fabricação de madeira laminada. E ainda, 82% das demissões deste período se concentram em 20 setores.
O economista explicou que os segmentos que demitiram mais foram os que exportam ou dependem do crédito, como é o caso das montadoras de veículos. ''Alguns setores se precipitaram com as demissões, o que antecipou e ampliou o impacto da crise'', afirmou. Ele destacou ainda que, algumas áreas que demitiram tiveram financiamentos e incentivos do governo.
Para ele, o achatamento de salários e a redução da jornada de trabalho é ''um tiro no pé'' porque a redução de salários aumenta o impacto da crise, já que as pessoas passam a consumir menos.
A previsão para 2009 é que continue a geração de empregos, mas em ritmo bem menor do que no ano passado. Ele acredita que as novas vagas não vão conseguir absorver as pessoas que entram pela primeira vez no mercado de trabalho e os desempregados, o que deve elevar a taxa de desemprego. No Paraná, a previsão é que o índice de emprego volte a aquecer a partir de março. No Brasil, foram gerados 1,452 milhão de vagas em 2008 e já há projeções para que feche 2009 com a metade deste volume.

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