O Paraná teve em 2014 o pior saldo de postos de trabalho gerados em 12 anos, com 41.012 pessoas contratadas a mais do que demitidas, ou 54,6% menos do que as 90.349 de 2013. Mesmo assim, o Estado teve alta na participação sobre o total de empregos criados no País no ano, de 8,1% no ano retrasado para 10,3% no ano passado, justificada, principalmente, pelo maior peso do agronegócio sobre a economia local. Os números são do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), divulgado ontem pelo Ministério do Trabalho e Emprego (MTE).
A queda na geração de vagas também é a quarta consecutiva no Estado e é o terceiro ano seguido em que o número fica abaixo de 100 mil, o que mostra o desaquecimento do mercado de trabalho. O maior reflexo positivo veio dos setores de serviços, com saldo positivo de 32.050, e do comércio, de 13.507. A única a ficar negativa foi a indústria da transformação, com 8.231 a menos.
No País, foram 396.993 vagas criadas de janeiro a dezembro de 2014, ou 64,4% a menos do que as 1.117.171 de 2013. Também foi o pior resultado desde 2002, primeiro ano da série histórica do Caged, segundo o MTE. Os principais reflexos positivos foram em serviços, com 476.108 postos de trabalho gerados, e comércio, com 180.814. Porém, houve redução de 163.817 empregos na indústria da transformação e de 106.476 na construção civil.
O diretor presidente do Instituto Paranaense de Desenvolvimento Econômico e Social (Ipardes), Julio Suzuki, afirma que o resultado estadual segue o nacional. "Reflete o esgotamento das estratégias econômicas do governo Dilma Rousseff, de incentivo à demanda, e já começa a refletir as medidas de austeridade implementadas pela nova equipe econômica."
Suzuki diz que 89,9% dos empregos foram gerados fora da capital do Estado. "Isso se deve à pujança do agronegócio, no sentido amplo, que envolve a agroindústria", conta.
Para o especialista em finanças públicas Cid Cordeiro, a geração de empregos sempre está diretamente ligada ao crescimento econômico. "O baixo desempenho chegou ao mercado de trabalho e, a não ser que a população economicamente ativa diminua, com menos gente buscando trabalho, o desemprego também vai aumentar."
Cordeiro destaca que o resultado não foi o esperado mesmo em setores que tiveram resultados positivos. "O comércio gerou no ano passado a metade das vagas de 2013 e isso mostra como o desaquecimento econômico afetou as duas pontas, a indústria, que produz, e o comércio, que vende."
Sobre 2015, a expectativa é que o País e o Estado voltem a gerar poucos empregos. "Como o ajuste demorou a ser feito, a recuperação será mais árdua, mas julgo as medidas tomadas coerentes", diz Suzuki. "O primeiro semestre de 2015 deve ter geração de emprego abaixo dos patamares de 2014 pelas medidas contracionistas adotadas e, a partir de agosto, teremos uma recuperação da economia", completa Cordeiro.

Por segmentos
Em serviços, a expansão foi generalizada, com destaque para alojamento e alimentação (+100.948 postos), serviços médicos e odontológicos (+100.948), de comércio e administração de imóveis (+98.462), de ensino (+69.190) e de transportes e comunicações (+52.508). Em comércio, os varejistas tiveram alta de 140.393 vagas e os atacadistas, de 40.421.
Na indústria de transformação, 11 de 12 segmentos tiveram queda. A exceção foi alimentos, bebidas e álcool, com 12.322 postos a mais. As maiores reduções foram em material de transporte (-41.397), metalurgia (-29.863), têxtil e do vestuário (-20.774) e mecânica (-18.473).

Imagem ilustrativa da imagem Paraná gera 54% menos empregos em 2014
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