Paraná fatura R$ 2 bi com a safra
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domingo, 06 de abril de 1997
Bete Fagundes Da Redação 
Os agricultores estão rindo à toa. Eles têm muita soja e agora têm bons preços para a comercialização. Os melhores preços em oito anos de plantio e colheita. Mas como disse um técnico da Ocepar, é bom não falar que eles estão rindo à toa porque amanhã pode faltar dinheiro (financiamento) para o trigo.
A safra de soja deve render R$ 2 bilhões no Paraná e cerca de R$ 7,5 bilhões no País. Não é pouco o entusiasmo dos produtores do Estado: 25,5% da soja brasileira saem de suas terras. E da colheita de grãos no Paraná, 90% correspondem à soja. A estimativa é de 6,760 milhões de toneladas. No Brasil são 26,5 milhões.
A safra que inclui soja, milho (duas colheitas) e trigo deve chegar a 17,8 milhões de toneladas no Paraná. No ano passado foram 17,4 milhões. É uma supersafra, e como tal, surte um superefeito na economia regional, estadual e brasileira.
Flávio Turra, técnico do Departamento de Economia da Ocepar (organização e sindicato das cooperativas do Paraná), explica tudo quando diz que essa grande safra de soja coincide com bons preços (R$ 17 a saca, na sexta-feira). E que os preços são bons porque os estoques mundiais estão em baixa e a demanda em alta.
Na competição entre os países que mais influenciam o mercado, o Brasil perde para os Estados Unidos. Os americanos estão esperando algo em torno de 60 milhões de toneladas de soja. É mais que o dobro da safra brasileira. A Argentina, que vem em terceiro lugar, colhe a metade do Brasil. Em escala inferior aparece o Paraguai.
Para fechar o total da safra paranaense, é preciso acrescentar 8,4 milhões de toneladas de milho e 1,5 milhão de trigo. Com a soja, portanto, o volume encosta em 16,70 milhões de toneladas. O arroz & feijão completa a estimativa de 17,8 milhões de grãos que começam a entrar no mercado.
O economista Ismael Mologni lembra que o valor da saca de soja (R$ 17) é quase o dobro do que foi pago no ano passado. É espetacular, afirma. O dinheiro voltará a circular. Alguns setores já estão sentindo a diferença. Outro ponto importante: o resultado da safra é bom não só para irrigar a economia, mas também para manter os preços (estáveis) da cesta básica - e, portanto, o brasileiro agradece.
Para quem passou 1994 e 95 se descapitalizando com as importações agrícolas do governo, com os preços baixos da soja na Bolsa de Chicago e principalmente com o alto custo financeiro no Brasil, é época de acabar com as dívidas. Depois trocar o trator, melhorar as benfeitorias. O comércio e o setor de veículos, por exemplo, sabem disso. Mas esperam as sobras.


