O Programa Paraná-Europa - implantado há cerca de seis anos em Londrina - pode ser estendido para todo o País, através do Brasil-Europa. Uma comitiva tem audiência hoje à tarde, em Brasília, com o ministro interino da Indústria, Comércio e Turismo, Paulo Jobim Filho e com o ministro da Ciência e Tecnologia, José Israel Vargas para discutir a implantação do Brasil-Europa. A comitiva é formada pelo presidente do Programa Paraná-Europa, Remo Veronesi, o diretor da Aster - Agência de Desenvolvimento Tecnológico, Paolo Bonaretti, o reitor da UEL, Jackson Proença Testa e o assessor de relações internacionais da UEL, Jorge Edison Ribeiro.
Segundo Marco Veronesi, diretor do Paraná-Europa, a comitiva vai à Brasília saber que tipo de apoio financeiro o governo pode oferecer ao programa e a seus projetos. Veronesi conta que o ministro Francisco Dornelles ficou sabendo do Paraná-Europa através do presidente da Fiep, José Carlos Gomes de Carvalho. ‘‘Depois de ter conhecido os projetos no papel, o governo enviou um representante à Módena para saber como funcionam na prática’’.
Veronesi explica que a idéia do Programa de transferir o modelo produtivo das pequenas e médias empresas da região da Emilia-Romagna para os pequenos e médios empresários de Londrina foi bem recebida pelo governo federal, que se mostrou interessado em estendê-la para todo o Brasil.
O presidente do Programa, Remo Veronesi, diz que o projeto deve ser colocado em prática inicialmente em Londrina. ‘‘A cidade deve liderar nacionalmente a implantação do modelo das pequenas e médias empresas italianas no Brasil’’, diz. Um dos principais projetos que contribuirá para a introdução deste modelo é o do Parque Tecnológico Internacional de Londrina.
Para viabilizar a criação de um parque gêmeo entre Londrina e Módena, a principal cidade da Emilia-Romagna, a UEL, o Programa Paraná-Europa e a Aster assinaram ontem um acordo de colaboração para a elaboração de um estudo de viabilidade encabeçado por representantes da UEL, do Paraná-Europa e da Universidade de Módena, fundada há 920 anos.
O grupo para a implantação do Parque Tecnológico de Londrina é liderado pela UEL. A intenção é de que ele seja usado como plataforma para atuação dos empresários daquela região italiana no Mercosul e dos empresários da região de Londrina no Mercado Comum Europeu. O Parque Tecnológico deve estar funcionando até o final de 97.
A região da Emilia-Romagna tem 430 mil empresas e um PIB 50% maior do que o do resto da Europa, segundo Remo Veronesi - apenas Módena possui 62 mil indústrias, com um PIB maior do que o Paraná. Paolo Bonaretti, da Aster, defende a introdução do modelo produtivo italiano por ele ser ‘‘um sistema de distribuição de riqueza e não apenas produtor de riqueza’’.
Marco Veronesi conta que o modelo foi implantado em Módena, em 1970, depois da quebra de uma das principais empresas da cidade: a Fiat Tratores. ‘‘A empresa tinha milhares de funcionários e desempregou muita gente. O poder público, com medo de uma grande crise social, resolveu investir em pequenos negócios’’. Segundo Bonaretti, o governo italiano investe US$ 150 milhões por ano somente na capacitação de mão-de-obra.
Participaram da cerimônia de assinatura do acordo de intenções com a UEL, Jackson Proença Testa, Jorge Edison Ribeiro, Paolo Bonaretti, Remo Veronesi, Maurizio Ferrari, secretário municipal de Módena; Ugo Pagnoni, representante da Universidade de Módena; Alex Canziani, vice-prefeito eleito; Abílio Medeiros, presidente da Acil e o jornalista João Milanez.

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