Paraná estimula debate antes de firmar posição
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terça-feira, 01 de junho de 1999
Vânia Casado 
A Secretaria da Agricultura começou a ouvir as posições das entidades representativas da produção sobre os produtos transgênicos. Havia uma resolução da Seab que permitia apenas a realização de pesquisas, impedindo a comercialização de transgênicos. Agora com o processo de liberação desses produtos por parte do Ministério, o estado quer debater com as entidades a melhor forma de preparar o produtor e o consumidor.
Ontem foi realizada a primeira reunião na Seab. O secretário Antonio Poloni disse que a reunião foi convocada para que todos os setores possam se manifestar. O governo não quer impor uma decisão de cima para baixo. Prefere ouvir correntes contrárias e a favor da liberação. Ainda não há decisão sobre a posição do governo. O objetivo da reunião é reunir informações para esclarecer produtores e consumidores sobre o que é um produto transgênico e como reagem os mercados internacionais a respeito do assunto.
Participaram da reunião representantes da Ocepar, Faep, Fetaep, Frente Sul da Agricultura Familiar, Iapar, Emater, Instituto Ambiental do Paraná e o secretário chefe da Casa Civil, Pretextato Taborda Ribas.
A Seab não quer adotar uma posição limitada, contra ou a favor. Mas sim, pretende obter o máximo de informação para conscientizar o produtor paranaense. Queremos ajudar o produtor a encontrar o melhor caminho e que o consumidor seja respeitado, declarou.
Poloni disse que pessoalmente não tem posição radical contra os produtos transgênicos, porque é favorável à evolução da tecnologia e acredita que será dificil deter o avanço dos produtos geneticamente modificados em todo o mundo. No entanto, ponderou que é interessante aos produtores conservarem um nicho de mercado, com o cultivo de produtos não transgênicos. Há uma demanda identificada, principalmente na Europa, para esses produtos, destacou.
Recentemente, a Faep recomendou cautela aos produtores paranaenses interessados em plantar a soja transgênica. A posição da entidade é que não dá para apostar todas as fichas nos produtos transgênicos diante do alerta dado por uma missão de supermercadistas da União Européia, sobre a preferência do consumidor europeu em comprar produtos não transgênicos. A Ocepar não é contrária à produção de produtos transgênicos e defende mais pesquisas sobre os produtos.
Já as entidades representativas dos produtores, como Frente Sul da Agricultura Familiar, são contrárias ao plantio de produtos transgênicos e revelam a preocupação com o impacto ambiental que essa nova tecnologia possa causar no solo paranaense.


