Paraná está em pior situação
Brasília- O consultor de agronegócios, Ênio Marques, ex-diretor de Defesa Agropecuária do Ministério da Agricultura, disse que enquanto a Argentina seguiu fielmente os procedimentos e as normas internacionais do combate à aftosa, o Brasil se perdeu no embate de políticas locais, o que causou incerteza para os europeus.
''A questão mais gritante continua sendo a do Paraná, onde os animais ainda nem foram abatidos. Quando os europeus apresentaram um questionário para o governo federal responder sobre o assunto, não havia condições de responder porque muitas ações foram tomadas localmente, sem nenhum respeito aos acordos internacionais'', disse. Segundo ele, o Brasil está dando prioridade a ações regionais, em detrimento de um procedimento homogêneo e de acordo com as normas internacionais. Para Marques, diante desta situação, o embargo mais brando na Argentina é perfeitamente natural.
Segundo a analista Amaryllis Romano, da Tendências Consultoria, além da questão da credibilidade maior existente na Argentina, deve-se levar em conta as relações históricas entre Argentina e Europa, que sempre foram tradicionalmente melhores que as do Brasil. Ela lembra que, mesmo na cota Hilton, o sistema de cotas que retira impostos das importações de carne bovina para a Europa, a participação argentina sempre foi maior que a brasileira.
Nos últimos cinco anos, as exportações brasileiras de carne bovina para a União Européia subiram 140,6%, ante um crescimento de 302% das exportações argentinas, ressalta a analista.
Jerry O'Callaghan, diretor da unidade de carnes da Coimex, disse que o setor exportador já esperava um atraso do fim do embargo. ''Diante das observações feitas pelos técnicos na última visita, ficou claro que não seria desta vez que o embargo da UE seria levantado'', disse.(A.E.)





