Curitiba O Paraná espera receber no mínimo R$ 4 bilhões para a safra 2002/2003, o que corresponde a cerca de 20% dos recursos anunciados ontem pelo governo federal que somam R$ 21,67 bilhões para todo o País. O dinheiro pretendido pelos produtores paranaenses deve ser usado no plantio, comercialização e investimentos do setor agrícola. Em função dessa expectativa, o plano de safra divulgado pelo ministro da Agricultura, Marcus Vinicius Pratini de Moraes, foi bem recebido no Estado.
Uma projeção feita pela Organização das Cooperativas do Paraná (Ocepar) indica que com o aumento de 26% no volume de recursos disponíveis para o setor agrícola este ano, poderá haver um incremento de 5% a 8% na produção, o que vai permitir ultrapassar a barreira da colheita de 100 milhões de toneladas de grãos no País. Na safra passada, foram produzidas 98,5 milhões de toneladas e na próxima, em condições normais de clima, pode-se atingir 108 milhões de toneladas de grãos, prevê o assessor econômico da Ocepar, Nelson Costa.
A Federação da Agricultura do Paraná (Faep) aponta como ponto positivo do plano de safra 2002-2003 o volume de recursos disponibilizado para o custeio da safra no Paraná, em torno de R$ 1 bilhão. Segundo o assessor econômico da entidade, Carlos Augusto Albuquerque, nos últimos anos não têm faltado recursos para o financiamento da produção.
Para a Faep, a divulgação de recursos de um programa específico para o plantio de Florestas Indústriais (sugestão da entidade paranaense) vai ajudar os produtores a fazerem o replantio da reserva legal, para o qual estão sendo pressionados por órgãos ambientais. O programa de florestas receberá R$ 60 milhões, a juros fixos de 8,75% ao ano, sem correção monetária.
Por outro lado, Albuquerque apontou a preocupação dos agricultores paranaenses com a política destinada ao plantio de milho. Segundo ele, o governo reajustou o preço mínimo do produto em 28%, mas lembrou que é preciso definir o valor do contrato de opção já, para estimular o produtor a plantar milho. ''Caso contrário, na próxima safra os paranaenses vão eleger novamente a soja como cultura prioritária, em função dos preços animadores e liquidez na hora da venda'', destacou.
O analista da Ocepar aplaudiu o anúncio do Prodecoop, um programa de desenvolvimento para estimular a agregação de valor, específico para o setor cooperativista. O governo federal vai disponibilizar R$ 250 milhões, a juros fixos de 10,75% ao ano e sem correção monetária, para financimaneto de projetos, tecnologias, obras, instalações, treinamentos, despesas pré-operacionais, capital de giro associado ao investimento, entre outros.
Segundo Costa, o governo federal sentiu que deve apostar e investir na agricultura para dar mais condições de competitividade aos produtores e, como resultado, elevar as exportações.

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