Paraná enviará novas amostras para Lanagro
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 23 de novembro de 2005
Luciana Pombo<br>Equipe da Folha 
Curitiba - O Paraná enviará novas amostras de material coletado em animais com suspeita de febre aftosa para análises no Laboratório Nacional Agropecuário (Lanagro). A decisão foi tomada pelo vice-governador Orlando Pessuti, secretário de Estado da Agricultura e do Abastecimento, depois de reuniões com técnicos do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa). Pessuti foi convencido de que os exames feitos deixaram algumas dúvidas sobre a sintomatologia apresentada inicialmente por 19 bovinos que vieram do Mato Grosso do Sul (MS) para o Paraná.
''Não queremos que dúvida alguma paire sobre o Paraná. Temos que fazer novos exames para que possamos acabar com a suspeita mesmo que infundada de que houve efetivamente febre aftosa no Paraná. O nosso Estado tem sido a maior vítima no processo de descoberta de aftosa no Mato Grosso do Sul. Sofremos todos os tipos de restrições econômicas e barreiras comerciais. Queremos definir o mais rápido possível essa situação'', ponderou Pessuti, durante a reunião de ontem do secretariado.
Deverão ser coletadas amostras de material de mais 211 animais que estão nas quatro propriedades interditadas pelo ministério. Apenas depois destes exames é que se poderá admitir a hipótese de que outra doença tenha acometido o rebanho paranaense (problemas estomacais ou reações à vacina, por exemplo).
Até agora foram encaminhadas 454 amostras de soros (438 laudos estão prontos e deram negativo), nove amostras de líquidos estomacais (quatro foram analisadas e deram negativo) e 11 amostras de lesões epiteliais (quatro deram negativo) para o Lanagro de Belém (PA). Os prejuízos para o setor produtivo do Estado, por conta das barreiras impostas pelo Mapa, chegaram a R$ 100 milhões. Barreiras que foram flexibilizadas ontem, com a interdição apenas das áreas suspeitas e das propriedades que ficam num raio de dez quilômetros dos locais investigados.
''Isso resolve em 70% os nossos problemas'', comemorou Pessuti, que ainda se diz preocupado com o setor leiteiro. Por conta da greve dos técnicos agropecuários do Mapa, o leite cru não pode ser exportado para outros estados pois ninguém assina os laudos de liberação do produto. O vice-governador está solicitando em Brasília a contratação de temporários para que os laudos possam ser devidamente assinados e o leite volte a ser vendido normalmente.
O anúncio da suspeita da doença no Paraná aconteceu no dia 21 de outubro. Dezenove animais vindos do Mato Grosso do Sul (onde foi detectado aftosa) participaram de uma feira em Londrina e teriam apresentado sintomas da doença como febre, salivação abundante e dificuldade para caminhar.


