Todas as regiões produtoras de café do Brasil podem colher cafés finos, que sejam bons de tipo e de bebida. Os cafés de qualidade não são, necessariamente, aqueles do Sul de Minas Gerais ou da região Mogiana, de São Paulo. Acabou a hegemonia no padrão de café. Novos paradigmas no conceito de classificação incluem o Paraná como fornecedor de qualidade. É uma questão de tecnologia de preparo e não um fenômeno de clima e solo, embora esses fatores exercam forte influência.
A opinião é do engenheiro agrônomo e produtor Francisco Barbosa Lima, que participou ontem do Seminário do Café, em Londrina. O evento, promovido por instituções dos setores público e privado, discutiu qualidade, certificação, marketing e tecnologia de produção e outros temas. O sentimento é de que o Estado deve continuar investindo em café, com respaldo de instituições de pesquisa e assistência técnica.
A mudança de referencial de qualidade não é nova. Mas ultimamente ela se expressa mais claramente, segundo Barbosa. Lembrou, a propósito, o resultado do Concurso Illy Café, ano passado, promovido pela empresa italiana: o primeiro colocado é do Sul de São Paulo. E o concurso de café gourmet, este ano, teve como vencedor um café da Zona da Mata de Minas Gerais.
Já no concurso de qualidade, promovido no Estado do Paraná, foram classificados cafés de Carlópolis, em 1º lugar (na categoria café cereja descascado e seco) e em 4º lugar (café natural, seco com casca). A determinante no resultado de Carlópolis foi a tecnologia empregada no preparo do café para a indústria. Afinal, Carlópolis não tem o melhor clima para café. Sofre os efeitos da umidade por estar próximo à uma grande represa (Xavantes). ‘‘Isto mostra que o domínio da tecnologia é que é fundamental e o Paraná tem conhecimento técnico acumulado para fazer bons cafés’’, resume.
Barbosa observa, no entanto, que o mercado hoje não remunera a mercadoria pelo diferencial qualidade. Ele defende que o produtor tem que receber pela qualidade para que toda a cadeia produtiva do café seja beneficiada.
No curso da aferição da qualidade há dois programas em andamento. Um visa qualificar e certificar o produto. Os parâmetros serão determinados pela Agência Nacional de Certificação. Uma vez concluído, o projeto vai padronizar os critérios possibilitando, inclusive, a comercialização via Internet. O outro programa é o da Educação do Mercado (PEM), executado pela Associação Brasileira da Indústria (Abic), que trata da pureza. O programa vai segmentar o mercado criando as categorias a) gourmet, um top de linha; b) superior, c) tradicional. Este é o caminho para que os cafés tenham preços diferenciados e os produtores sejam remunerados pelos investimentos em qualidade.
Pós-geada No painel técnico ‘‘O Paraná continua produzindo caf钒, o coordenador de café da Emater, Edison J. Trento mostrou a estrutura do Paraná na orientação aos agricultores. Defendeu a permanência do café, mesmo convivendo com condições adversas, que são contornáveis com apoio técnico.
Em outro painel ‘‘Confirmação da viabilidade do café adensado’’, o pesquisador Armando Androciolli Filho mostrou como este sistema de plantio está se recuperando da geada. Ao final da sua exposição técnica, Androciolli resumiu que as geadas existem e que o sistema adensado foi criado justamente para enfrentá-las. É por esta razão que a recuperação (econômica) do café adensado se dá mais rapidamente, com maior volume de produção por área já no segundo ano após implantação ou recepa.
O pesquisador do Instituto de Economia do Estado de São Paulo, Celso Vegro, no painel ‘‘Comparativo da rentabilidade dos sistemas de produção’’, apresentou dados sobre vantagens econômicas do sistema adensado em relação a métodos tradicionais.

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