Paraná Ecológico abre seu capital para investidores
Marcos Zanata
A Paraná Ecológico S.A, empresa criada em Maringá para fabricar o aditivo AEP-102, utilizado na mistura do álcool com o óleo diesel, está abribndo 30% do capital para novos investidores. A empresa pertence às usinas e destilarias ligadas à Associação dos Produtores de Álcool e Açúcar do Paraná (Alcopar), e busca recursos para concluir a linha de procução. A Paraná Ecológico vai funcionar em um prédio de 450 metros quadrados dentro do Parque Industrial de Cocamar, que também tem participação do projeto.
A instalação do setor de produção dentro da Cocamar é estratégico. Um dos principais compenentes do aditivo é o óleo de soja, produzido em um barracão ao lado. Segundo o superintendente da Alcopar, José Adriano Dias da Silva, a intenção com a abertura de capital é de arrecadar R$ 600 mil, que será investido na instalação da fábrica, com capacidade inicial de 300 mil litros de aditivo ao mês. A intenção segundo Silva é iniciar a produção do AEP-102 ainda este ano. Ele explica que a abertura do capital é uma forma de evitar a tomada de empréstimos em bancos, o que pode viabilizar o projeto.
O empreendimento é único no país, e a Paraná Ecológico detêm exclusividade na exportação, observa Silva. A produção inicial, de 300 mil litros ao mês, equivale ao consumo projetado para uma cidade do porte de Curitiba, caso o diesel receba a mistura de álcool para mover veículos pesados. Com o crescimento da demanda, planejamos instalar novas fábricas em outras regiões do país, diz Silva. Hoje a mistura diesel/álcool é utilizada de forma experimental em Campo Grande (MS) e Cuiabá (MT), e em breve também em Recife (PE) e em cidades paraguaias.
O aditivo AEP-102 foi desenvolvido pelo pesquisador Alfredo Rafael Campi, de Brasília, e aprovado depois de uma avaliação realizada com a frota de ônibus de Curitiba. Além da Alcopar, o uso em larga escala do aditivo na mistura foi acompanhada pela União da Agroindústria Canavieira (Unica), Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotivos (Anfavea), Petrobrás, Instituto de Tecnologia do Paraná (Tecpar), Mercedes Benz, Bosch e Ministério da Ciência e Tecnologia (MCT). Os resultados foram animadores, diz Silva.
Com uma mistura de 11,2% de álcool anidro, 86,2% de óelo diesel e 2,6 do aditivo, os motores testados apresentaram uma redução de 50% na emissão de fumaça e metade do cheiro de diesel. A mistura também não exigiu nenhuma adaptação ou problemas nos motores, além de manter o rendimento. Silva conta ainda que o AEP-102 é totalmente degradável, e foi o único que conseguiu satisfazer as rigorosas exigências do MCT, que autorizou a instalação da fábrica de Maringá. Os sócios já investiram R$ 1,2 milhão para a aquisição dos direitos de uso da patente, elaboração do projeto e patrocínio dos testes.





