Curitiba - O Paraná plantou em 2010 4,8 milhões de hectares (ha) de cultivos transgênicos ou geneticamente modificados (GM). O volume é 11,62% maior que em 2009 quando a área atingia 4,3 milhões de hectares. O Estado ocupa a terceira posição no ranking nacional e só perde para Mato Grosso com 6,1 milhões de hectares e Rio Grande do Sul com 5,2 milhões de hectares. No Brasil, também houve crescimento da área plantada que passou de 21,4 milhões para 25,4 milhões de hectares, o que significa um incremento de 19%.
O Brasil consolidou a segunda posição mundial conquistada em 2009, só perdendo para os Estados Unidos, que somaram 66,8 milhões de hectares. O diretor da Celeres Consultoria e representante do Serviço Internacional para a Aquisição de Aplicações Agro-Biotecnológicas (ISAAA), Anderson Galvão, acredita que o Brasil passe os Estados Unidos no longo prazo.
Para ele, o aumento da área plantada no Paraná está relacionada com a percepção dos produtores sobre os benefícios da biotecnologia, que pode reduzir custos e aumentar a produtividade.
Do total plantado pelo Brasil, 17,8 milhões de hectares foram de soja, 7,3 milhões de hectares de milho e 0,25 milhão de hectares de algodão. De acordo com Galvão, o aumento de produtividade decorrente das plantações transgênicas contribuiu para dobrar a produção brasileira anual de grãos nos últimos 20 anos, enquanto a área utilizada para as plantações aumentou apenas 27%.
Para Clive James, presidente do ISAAA, com a capacidade de levar a produção a 100 milhões de hectares de área plantada, o Brasil continuará sendo a mola propulsora na adoção global de plantações biotecnológicas e está investindo em infraestrutura para apoiar esse crescimento.
No ano passado, foram plantados 148 milhões de hectares de transgênicos no mundo, um crescimento de 10% em relação ao ano anterior (134 milhões de hectares). Ao todo, 15,4 milhões de agricultores de 29 países plantaram culturas geneticamente modificadas. De 1996 a 2010, as lavouras geneticamente modificadas ultrapassaram 1 bilhão de hectares, com um aumento de 10% em relação ao ano anterior.
Os países em desenvolvimento cultivaram 48% das plantações globais em 2010 e, segundo o ISAAA, ultrapassarão as nações industrializadas até 2015. Os países da América Latina e da Ásia deverão ser os maiores responsáveis pela ampliação dos hectares globais cultivados com lavouras modificadas na segunda década de comercialização da tecnologia.
Vale destacar que dos 15,4 milhões de agricultores que plantaram culturas transgênicas, 90% ou 14,4 milhões são pequenos agricultores de países em desenvolvimento e com poucos recursos. Hoje, a maior parte dos pequenos agricultores na China e na Índia cultiva transgênicos: 6,5 milhões de agricultores chineses e 6,3 milhões de agricultores indianos.
Em 2010, três países cultivaram comercialmente plantações GM pela primeira vez: Paquistão, Myanmar e a Suécia, o primeiro país escandinavo a comercializar colheitas geneticamente modificadas. Além disso, a Alemanha também plantou batata GM em 2010, retomando seu lugar entre os oito países da UE que cultivam atualmente batata ou milho transgênicos.

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