Paraná é quinto do País em ambiente para negócios
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sexta-feira, 30 de novembro de 2012
Fábio Galiotto <br> <br> Reportagem Local 
O Paraná é o quinto do País no Ranking de Competitividade dos Estados Brasileiros, lançado ontem pelo Centro de Liderança Pública (CLP) e que avalia o ambiente para negócios. Com 59,5 pontos, a mesma posição em relação a 2011, atrás de São Paulo (77,1), Rio de Janeiro (71,8), Minas Gerais (62,8) e Rio Grande do Sul (60,5), o que pesou negativamente para a economia local foram o regime tributário e a redução no crescimento econômico e nos recursos para pesquisa e desenvolvimento.
O estudo foi feito pelo grupo inglês Economist Intelligence Unit pela primeira vez no ano passado e repetido neste ano. Pelo lado positivo, o Paraná ganhou pontos com a qualidade das redes de telecomunicações e de estradas, com a legislação para sustentabilidade e com a produção da mão de obra.
O maior número de empregos e a ampliação do Produto Interno Bruto (PIB) paranaense são justamente os motivos que fazem o secretário da Fazenda do Estado, Luiz Carlos Hauly, criticar o ranking. Isso porque o estudo reduziu a nota para crescimento do mercado estadual de 100 em 2011 para 75 neste ano. ''O Paraná vai crescer 3% (do PIB) e o Brasil, 1,5%. Vai criar mais empregos, maior crescimento da indústria, então não dá para explicar essa queda.''
Sobre a baixa média no que se refere ao sistema tributário, Hauly culpa a guerra fiscal entre estados e governo federal. ''Estava em uma reunião com o ministro da Fazenda (Guido Mantega) e com os secretários estaduais, em Brasília, mas a proposta federal (unificação do ICMS) está longe de ser aceita'', diz.
Ele acredita que, sem uma política fiscal única, os produtos nacionais perdem competitividade. O professor de economia Sidnei Pereira do Nascimento, da Universidade Estadual de Londrina, diz que o motivo é a cobrança de impostos sobre o bem produzido, e não sobre renda. ''Isso encarece o produto e tira competitividade.''
Integrante do Movimento Londrina Competitiva, o empresário Oswaldo Pitol diz que outro problema sobre impostos é a atitude agressiva do Paraná em relaçao às empresas. ''O Estado não é amigável com seu maior contribuinte, as empresas'', afirma.
Também membro do grupo, o presidente do Sindicato da Indústria da Construção Civil de Londrina, Gerson Guariente Junior, vê evolução nesse quesito nas relações entre a classe e o governo, com portas abertas para discussão. ''Temos de considerar que o Estado teve uma gestão por muito tempo contra os empresários.''
Pitol acrescenta mais três desafios para facilitar a chegada de investimentos. Ele diz que a legislação trabalhista fica mais complicada a cada dia e que, como o Estado é eficiente na fiscalização, as empresas sofrem bastante. O empresário conta que o Código de Defesa do Consumidor é outro que passou a tratar o público como ''inocente demais'', o que prejudica negociações. ''Também são muitas agências reguladoras no País, que fazem com que a implantação de um projeto que demoraria seis meses chegue a dois anos.''
O ranking apontou ainda perda de pontos do Paraná em relação aos gastos públicos com pesquisa e desenvolvimento. Hauly diz que o Estado mantém os mesmos 2% de recursos aplicados dos anos anteriores e que não há mudança. Guariente lembra que a recém-aprovada política de incentivo à transferência tecnológica aproximará a academia e a iniciativa privada, que hoje recebe nota zero no que diz respeito a gastos com inovação no Estado.
Infraestrutura
No âmbito nacional, as condições de segurança, item que não foi avaliado em 2011, reduziu notas devido à taxa de homicídios média de 31 por cada 100 mil habitantes. A média mundial é de 6,9.
Sobre a necessidade de infraestrutura no País, a expectativa é que o Plano Nacional de Logística Integrada (PNLI) reduza problemas de transporte, principalmente porque 19 estados têm rodovias de baixa qualidade.
No Paraná, Pitol acredita que a infraestrutura atenda os empresários, mas não resista à expectativa de alta na produção em 2013. ''A perspectiva de safra é boa e isso pode gerar um congestionamento no porto de Paranaguá no meio do ano.''



