Paraná é o campeão da carne de cavalo
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quarta-feira, 13 de agosto de 2008
Wilhan Santin<br>Reportagem Local 
Aos olhos dos brasileiros, os cavalos são vistos como animais de estimação, de companhia. Porém, em outros países, eles também servem como alimento. Boa parte da carne de equídeos que é consumida principalmente por europeus e asiáticos sai do Paraná. De acordo com levantamento feito pela FOLHA, o Estado é o campeão nacional de exportação de carne de cavalos.
No entanto, como não há criação de equídeos para corte, a grande maioria dos animais que vão para abate nos frigoríficos brasileiros são aqueles considerados velhos ou inaptos para a lida. Enquanto isso, na Europa e na Ásia, esses ''pangarés'' recheiam pratos, inclusive de chiques restaurantes.
De acordo com dados do Serviço de Inspeção Federal (SIF), no primeiro semestre de 2008 mais de 22 mil equídeos foram abatidos no Paraná. Essa carne, exportada para países como França, Bélgica, Itália e Japão, rendeu aos frigoríficos e exportadores o montante de US$ 7,5 milhões. O número de animais abatidos e de dinheiro movimentado com a exportação de carne de equídeos no Estado corresponde a mais de 50% da produção nacional.
Para entender como é o mercado de carne de cavalos, a reportagem foi para a região de Santa Fé (47 km ao norte de Maringá), onde funciona, desde 2002, o frigorífico Santa Fé, do grupo Rei do Gado Fazendas. Esse frigorífico é o único do Estado que abate equídeos depois do fechamento do Frigorífico King Meat, de Apucarana, que transferiu as atividades de abate para Minas Gerais depois de uma greve de funcionários no mês de junho. Segundo o SIF, no Brasil todo funcionam somente sete frigoríficos que abatem equinos.
Tão grande quanto os números de abates de cavalos é o fechamento para informações dos frigoríficos instalados no Paraná, o que cria um clima de mistério em torno da atividade. O gerente-geral do King Meat, José Berton, não retornou aos contatos da FOLHA para comentar sobre a transferência da empresa para Minas Gerais e qual será o impacto dessa mudança na produção estadual.
Em seu site (www.frigorificokingmeat.com.br), o grupo Sachelli, dono do King Meat, apregoa que a planta de abates que funcionava em Apucarana era a maior e mais moderna do país e uma das maiores do mundo. A página do frigorífico na Internet é traduzida para cinco línguas além do português.
Já o Frigorífico Santa Fé, por meio de um gerente que identificou-se apenas como Marcos, informou que não receberia a reportagem, que foi pessoalmente até lá. Ele comprometeu-se a consultar os proprietários sobre a possibilidade de uma entrevista, porém não retornou e não respondeu aos telefonemas e a um e-mail enviado pelos jornalistas.
Na opinião do professor Roberto de Arruda Souza Lima, um dos pesquisadores da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz da Universidade de São Paulo (Esalq/USP), que desenvolveu um estudo sobre o mercado de cavalos no Brasil, os frigoríficos não gostam de dar informações por conta da imagem que o brasileiro faz da carne de cavalo.
''A mesma reação que as pessoas têm quando se fala que na Ásia comem carne de cachorro acontece quando se fala sobre o consumo de carne de cavalo. Por isso os frigoríficos não gostam de propaganda. Na minha opinião, esse fechamento atrapalha, e muito. Mas eles (frigoríficos) estão ganhando dinheiro agindo dessa forma, então fica complicado mudar esse cenário'', comenta o pesquisador.


