Apesar da crise generalizada na economia mundial, o Paraná fechou 2001 como líder no País em vendas reais da indústria de transformação. A Confederação Nacional da Indústria (CNI) divulgou ontem uma pesquisa feita com cerca de 3,7 mil médias e grandes empresas de 12 estados brasileiros. O documento que traz indicadores industriais (que não consideram a inflação registrada no período) atribui ao Paraná crescimento de 25,21% entre janeiro e novembro de 2001.
O crescimento no Estado foi maior que o indicador nacional de vendas reais, que registrou aumento de 13,21%. Segundo o relatório divulgado pela CNI, esse aumento nas vendas é ‘‘fruto do elevado patamar produtivo vigente no início do ano’’.
O estado de São Paulo, que tem o maio parque industrial do País, teve desempenho 15,36% superior de janeiro a novembro de 2001 em relação a igual período em 2000. Além do Paraná e São Paulo, todos os outros estados tiveram desempenho positivo, à exceção do Amazonas (-4,96%), Ceará (-0,54%) e Goiás (-0,29%).
Segundo a Folha apurou, entre os segmentos que lideram as vendas reais no Paraná, estão os setores de bebidas (aumento de 84,04%), produtos alimentícios (71,71%), têxtil (43,62%) e de materiais de transporte (21,06%). Em 1999, o Paraná havia ocupado o quinto lugar em vendas reais da indústria na pesquisa realizada pela CNI; e em 2000, havia descido para o sexto lugar.
Mesmo liderando as vendas reais da indústria de transformação durante o período de janeiro a novembro, o Paraná sofreu a maior queda na pesquisa restrita ao mês de novembro de 2001: em comparação a outubro, o Estado teve queda de 15,66 nas vendas reais, seguido por Minas Gerais (-7,78), Rio Grande do Sul (-7,25%), Santa Catarina (- 6,32%) e São Paulo (-3,54%). O índice nacional dessazonalizado teve uma queda menor nesse período: de 1,78%.
Considerando dados dos 12 estados avaliados pela CNI, a indústria de transformação brasileira sofreu queda de 5,05% nas vendas reais em novembro ante o mês anterior. No Paraná, os segmentos mais afetados foram os setores de produtos alimentícios (-42,19%), madereiro (-13,26%) e metalúrgico (-14,08%). Além do fim da safra agrícola, a gradativa redução de encomendas provocou a queda nesse setores.
Em relação ao cenário nacional, o documento divulgado pela CNI traz outros motivos para a ligeira queda nas vendas ocorrida em novembro: ‘‘a permanência de taxas de juros elevadas e poder de compra restringido, com o mercado de trabalho desaquecido e massa salarial em queda, limitam a capacidade de recuperação do setor, que depende de uma consolidação da reversão das expectativas para alavancar a demanda de investimento’’. (com agência Estado)

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