Palmas - A BR-280 que divide Paraná e Santa Catarina também separa dois pensamentos distintos sobre uma das mais promissoras fontes renováveis de energia elétrica do país: o vento. Enquanto em Água Doce, do lado catarinense, há uma clara intenção de seguir a tendência mundial e ampliar a produção de energia eólica - gerada a partir do movimento das massas de ar -, do lado paranaense, em Palmas, o pioneirismo de 10 anos atrás, quando começaram a girar os aerogeradores, parece ter perdido força e não existe qualquer previsão de investimentos a curto e médio prazos.
A confirmação deste cenário é encontrada no site da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel). Em Santa Catarina, há três usinas em funcionamento e outras 13 outorgadas entre 1998 e 2004 que ainda não começaram a ser construídas. O Paraná conta com apenas uma e não há nenhuma outra em construção ou outorgada. O maior gerador de energia eólica no Sul e no país é o Rio Grande do Sul, onde três usinas geram 150 mil MW.
A Usina Eólica de Palmas, construída no km 97 da rodovia federal, começou a operar em janeiro de 1999 e os cinco aerogeradores de 500 kilowatts (KW) cada e com 44 metros de altura produzem anualmente 6,5 mil megawatts (MW). A produção é suficiente para abastecer cerca de quatro mil casas de médio porte ou 20% do consumo de Palmas, que tem pouco mais de 40 mil habitantes. Originalmente, a Copel detinha 30% do empreendimento enquanto o restante pertencia à Wobben Windpower, uma subsidiária da alemã Enercon. A partir de 2007, a empresa paranaense de energia assumiu o controle total da usina.
Do outro lado da divisa, as usinas catarinenses de Horizonte e Água Doce somam 23 aerogeradores de 600 KW cada. A diferença maior é que 15 deles têm 63 metros de altura e capacidade maior de geração porque alcança ventos mais fortes. No total anual, as duas unidades produzem entre 32 mil MW e 36 mil MW. Toda a produção da usina Água Doce é comprada pelas Centrais Elétricas Santa Catarina (Celesc), enquanto a de Horizonte é repassada ao Proinfra - programa do Governo Federal, via Eletrobrás, que garante a compra da produção por 20 anos.
O potencial eólico da região já atraiu o interesse internacional. No ano passado, o grupo Energia de Portugal (EDP) comprou as duas usinas catarinenses pagando R$ 51 milhões à Central Nacional de Energia Eólica (Cenael), que ainda opera os empreendimentos mas está prestes a repassar o controle. Os portugueses guardam segredo mas a intenção é ampliar a produção nas plantas locais, aproveitando os ventos médios de cerca de 7,5 metros por segundo que sopram na região durante 95% do ano e que são ideais para o pleno funcionamento dos aerogeradores.
O gerente operacional da Cenael, Daniel Salvatore, confirma que a empresa já tinha planos de investir na região e que estes projetos devem ser mantidos pelos atuais controladores. ''A intenção é de expansão e há projetos para serem instalados, até porque a capacidade é muito grande'', destaca o executivo. Ele diz que a opção por investir em Santa Catarina e não no Paraná foi essencialmente comercial porque, na época da instalação, em 2003, a Celesc foi a única empresa pública interessada em comprar a energia produzida.
O assistente de Novos Negócios da Celesc, Paulo Meller, reforça que há ''planos de aumentar a geração de energia eólica'' no Estado. ''As fontes renováveis mais limpas para geração de energia, dentre elas a eólica, são o grande 'boom' do momento no mundo'', complementa.
Por seu lado, a Copel limitou-se a informar que não há investimentos previstos no incremento da produção de energia eólica no Estado. A FOLHA manteve contato por mais de dez dias com a assessoria mas nenhum diretor foi destacado para dar entrevista. A Copel não permitiu nem mesmo o acesso da reportagem às instalações da Usina de Palmas.

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