Paraná dribla a crise, dizem empresários
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quarta-feira, 17 de março de 1999
Andréa Bertoldi Especial para a Folha 
A retração econômica não abalou o moral do empresariado paranaense. O otimismo foi detectado numa pesquisa divulgada ontem pela Arthur Andersen consultoria. Ela revelou que na opinião do setor produtivo, o mercado paranaense deve ser menos afetado que o Brasil como um todo, em 99. Essa tendência pode ser explicada pelos investimentos das empresas que se instalaram no Estado e que agora já estão produzindo e gerando produtos e consumo. Outro fator positivo são as exportações da agroindústria, que vão ser beneficiadas com a desvalorização cambial.
A 5ª edição da pesquisa Retrato do Paraná foi resultado de consultas a 444 empresas de vários setores (indústria, comércio e serviços). O sócio-diretor da Arthur Andersen, José Écio Pereira da Costa Júnior, explica que a primeira parte do trabalho de campo foi feita entre dezembro de 98 e início de janeiro deste ano. A segunda constituiu de um questionário complementar para levantar a opinião do empresariado após as alterações no câmbio, feita nos meses de fevereiro e março.
Passado o primeiro impacto da desvalorização cambial, a maior parte dos empresários almeja do governo federal a redudção das taxas taxas de juros, da carga tributária e a liberação imediata das linhas de crédito a longo prazo. Cerca de 66% acreditam no aumento ou na manutenção do faturamento de suas empresas em 99, e 54% esperam aumento da produtividade. Mas, por outro lado, o lucro deverá ser menor para 49% dos empresários.
Costa Júnior explica que o estudo mostra que 98 foi um ano bom, até porque 45% das empresas tiveram aumento de faturamento, comparando com 97. Ele observa 98 só não foi mais positivo que 97 devido à crise da Rússia e as altas taxas de juros, que afetaram o Paraná. A notícia boa para 99 é a retomada de crescimento a partir do segundo semestre, com continuidade no ano 2000, destaca. Isso será consolidado com a queda da taxa de juros e com a aprovação de reformas pelo Congresso, aposta.
Na opinião das empresas entrevistadas, a estabilização do câmbio deve ocorrer dentro de cinco meses e meio. Confirmando a tendência de inflação, o índice esperado pelos empresários paranaenses é de 16,7% e os juros devem ficar em 28,48%, este ano.
Cerca de 67% dos entrevistados acreditam que a economia nacional deverá sofrer uma retração de 1,27%, o que não vai ocorrer no Paraná. Na opinião deles, o Produto Interno Bruto (PIB) paranaense deverá crescer 1,33% em 99. O índice de desemprego no Estado também deverá ser inferior ao nacional: 7,9% contra 11,7%. O quadro de recessão deve durar somente até o final desse ano.
Um fato importante é que 57% das empresas vão manter o plano de investimentos para 99, com lançamento de novos produtos, enquanto 35% estão cancelando.
A pesquisa traz um balanço em relação a 98, mostrando que as empresas reduziram um pouco os investimentos no ano passado. Houve ainda uma redução no percentual de empresas que aumentaram seu faturamento no ano, caindo de 63% em 97, para 45% em 98. Apenas 30% tiveram um aumento do lucro em 98, contra 43% em 97.
A maior parte (57%) reduziu o seu quadro de pessoal, no ano passado. Para 99, 43% das empresas prevêem redução de funcionários, provocando uma diminuição de 5,5% nos postos de trabalho.
Em 98, 47% das empresas entrevistadas não realizaram operações de comércio exterior. Entre aqueles que atuaram nesse setor, 45% fecharam o ano passado com aumento em relação a 97 e o restante manteve o volume do ano anterior. Os principais parceiros vêm sendo os países do Mercosul, com destaque para a Argentina.


