Paraná discute formas para rolagem da dívida
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terça-feira, 05 de agosto de 1997
Vânia Casado Curitiba 
O Bloco Parlamentar Agropecuário da Agricultura assumiu a articulação da luta dos pequenos e médios produtores rurais do Paraná que tentam prorrogar as dívidas da securitização, cuja primeira parcela vence no dia 31 de outubro. O presidente do bloco, deputado Orlando Pessuti (PMDB), vai fazer o levantamento das dívidas em várias regiões do Estado e pretende negociar a prorrogação dos débitos diretamente junto aos ministérios da Agricultura e da Fazenda.
Ontem, o deputado Toti Colaço (PMDB-PR) levou uma caravana de pequenos produtores rurais do município de Rebouças (região Centro-Sul) para discutir o assunto da dívida, que segundo ele é assustadora. Segundo o deputado, são cerca de 18 mil produtores que somam uma dívida acima de R$ 4 milhões e o perfil da produção do município, de milho e feijão, não dá condições para pagar as dívidas.
Para a discussão do assunto estiveram presentes o presidente da Faep, Ágide Meneguette, da Ocepar, João Paulo Koslovsky, da Fetaep, Antonio Zarantonello e o prefeito de Rebouças, Luiz Zaki.
Segundo os relatos apresentados pelas lideranças, os produtores estão descapitalizados e argumentam que vêm sendo prejudicados pelo plano de estabilização econômica que desde 1994 provocou uma inflação de 60%, contra uma correção dos preços agrícolas de 25%. Também acusam os agentes financeiros de inflarem os débitos da securitização através de um pacote onde foi enrolada a dívida principal, juros, correção monetária, multas e taxas, vigentes em época de inflação alta, que aumentou a dívida no mínimo em 40% para ser paga num período de estabilização. No Paraná são pelo menos 26 mil contratos securitizados no valor aproximado de R$ 880 milhões.
Meneguette O presidente da Faep, Ágide Meneguette defende a prorrogação dos débitos. Ele sustenta que desde o início do Plano Real os preços dos produtos agrícolas vêm sendo deprimidos e mesmo deflacionados, o que inviabiliza o pagamento das dívidas na forma como foi acordada. Meneguette conta que a situação entre os produtores é de muita insegurança. Isso porque pelo contrato, se a primeira parcela não for depositada no dia 31 de outubro, a dívida é considerada exigível ou seja, volta o contrato original e o produtor corre o risco de perder suas terras.


