Paraná deve ser área livre de aftosa
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sexta-feira, 14 de setembro de 2007
Andréa Bertoldi<br>Equipe da Folha 
Curitiba- O ministro da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, Reinhold Stephanes, acredita que até o final do ano o Paraná seja reconhecido pela Organização Internacional de Epizootias (OIE) como área livre de aftosa com vacinação. Entre o final de novembro e o início de dezembro deve acontecer uma reunião da OIE para discutir a situação brasileira, especialmente do Paraná. Stephanes participou ontem de uma reunião na Itaipu Binacional com o ministro da Agricultura do Paraguai, Alfredo Molinas. O principal assunto discutido foi o combate à febre aftosa na região de fronteira.
Stephanes lembrou que a primeira reunião entre os dois países aconteceu em abril. ''Conseguimos implantar um trabalho conjunto e dentro dos procedimentos da OIE'', disse em entrevista à Folha. Segundo ele, o resultado prático da integração entre Brasil e Paraguai é poder mostrar à União Européia e à OIE que os dois países estão agindo dentro dos procedimentos corretos. ''O Paraná deve ser liberado antes. Os focos, entre aspas, já foram resolvidos há mais de um ano, esse é o prazo que a OIE exige. Estamos organizados, estruturados e fazendo o nosso dever de casa'', disse.
Stephanes afirmou que, ainda neste mês, o ministério vai encaminhar novas informações sobre o Brasil, principalmente do Paraná, para o Comitê Científico da OIE. A última sorologia do Mato Grosso será feita em 15 dias. A partir daí é que começará a contar o prazo para que este Estado tenha o reconhecimento do ministério como área livre. O ministro destacou ainda que o Paraná, Mato Grosso e Santa Catarina são os Estados mais afetados.
Durante a reunião, foi discutido o trabalho na faixa de fronteira dos dois países. Stephanes disse que o georeferenciamento de todas as propriedades já está pronto. A identificação dos animais através de um brinco com código de barras, que permite o rastreamento, deve terminar até o final do ano. A vacinação contra a aftosa nos dois países também ocorre nos mesmos meses, maio e novembro.
Stephanes destacou ainda que há postos de controle em todas as áreas que podem circular gado, trabalho que deve ser concluído até o final do ano. Esta é a terceira reunião entre ministros dos dois países. Mas, entre a segunda e a terceira, já ocorreram nove reuniões de grupos técnicos. Em novembro está marcada uma nova discussão entre os dois países.
Um software que faz o mapeamento e armazena informações de propriedades rurais, como o número de cabeças de gado presentes em uma determinada área e o tipo de vacina aplicada nos animais, é uma das apostas dos governos brasileiro e paraguaio para erradicar doenças como a febre aftosa. O Sanidade Net, desenvolvido no Parque Tecnológico Itaipu (PTI), por meio do Centro Internacional de Hidroinformática, foi apresentado ontem na Itaipu.
A tecnologia apresentada pela hidrelétrica vai realizar o monitoramento da sanidade animal em propriedades localizadas na fronteira para evitar contaminações que afetam os bovinos e prejudicam as exportações de carne. ''Queremos adensar a credibilidade do gado brasileiro e paraguaio no mercado de carne'', explicou o diretor-geral brasileiro de Itaipu, Jorge Samek. Todas as 2,7 mil propriedades rurais da fronteira localizadas no Paraná já foram cadastradas no Sanidade Net. Agora, a experiência será levada para o Paraguai.


