Paraná deve recolher 640 toneladas de BHC até julho
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segunda-feira, 19 de março de 2012
Victor Lopes <br> <br> Reportagem Local 
Cerca de dois mil agricultores paranaenses que em 2009 declararam ao governo do Estado a posse de BHC e outros agrotóxicos obsoletos iniciaram há poucos dias a devolução dos produtos. São 890 toneladas destes materiais de alta contaminação, sendo 640 toneladas só de BHC, que poderão ser entregues em 20 armazéns licenciados para receber os agrotóxicos, que posteriormente serão transportados e incinerados em três empresas localizadas em São Paulo. Do total, 8% dos produtos (78,9 toneladas) estão alocados em propriedades de Londrina e mais 13 municípios da região Norte. Só em Londrina, são 34 produtores detentores de 23,5 toneladas de BHC e 2,4 toneladas de outros agrotóxicos, que não podem mais ser comercializados e utilizados no Brasil.
Os produtores estão amparados pela Lei Estadual 16.082, que os isentou de quaisquer penalidades por terem declarado a posse deste material em 2009. De acordo com Udo Bublitz, engenheiro agrônomo da área de sustentabilidade do Instituto Paranaense de Assistência Técnica e Extensão Rural (Emater), o investimento neste projeto gira em torno de R$ 4,8 milhões, bancado 50% pelo Governo do Estado e os outros 50% pelo Instituto Nacional de Processamento de Embalagens Vazias (InpEV). ''Estamos nos estruturando há dois anos para resolver esta questão. É um trabalho complexo devido à logística de transporte destes agrotóxicos'', salienta Bublitz.
De acordo com o agrônomo do Instituto Emater, a região Norte possui boa parte do total destes produtos principalmente devido ao plantio de lavouras de café em décadas passadas. O BHC era utilizado para combate de uma praga conhecida como broca. Bublitz explica que o produto chegou ao Brasil vindo dos Estados Unidos, depois do agrotóxico ser proibido por lá. ''O produto passou por gerações nestas propriedades. Inclusive, no ano 2000, foi recolhida uma grande quantidade em Tamarana. Diferentemente das embalagens de agrotóxicos utilizados atualmente, o recolhimento do BHC não é mais uma obrigação das indústrias, pois o produto é muito antigo'', relata ele.
Os agricultores previamente cadastrados já estão recebendo da Emater os kits de segurança personalizados contendo sacos de acondicionamento, equipamentos de proteção individual (EPI) completos, folhetos explicativos sobre os procedimentos da operação, incluindo os locais para a devolução. Além disso, o kit inclui uma cópia da portaria do Instituto Ambiental do Paraná (IAP) para transporte do material até os armazéns, que deverá ser apresentado no momento da devolução, juntamente com a via da autodeclaração feita em 2009 e os dados cadastrais do declarante. ''Em casos do produtor possuir acima de duas toneladas de agrotóxico, serão enviados técnicos de uma empresa contratada para atendê-lo de forma personalizada. As situações estão sendo analisadas individualmente'', ressalta Udo.
O engenheiro agrônomo acredita que quando a Lei Estadual foi colocada em vigor, poucos produtores deixaram de cadastrar os agrotóxicos frente às entidades responsáveis. Bublitz explica que nestes casos que não foram realizadas as autodeclarações, o agricultor pode ir até um escritório do Instituto Emater de sua cidade. ''Com as informações, podemos realizar um novo inventário e colocar estes produtores para participar de uma segunda etapa, talvez no ano que vem'', conclui.



