Paraná deve produzir menos cebola este ano
A área de cultivo de cebola deverá cair 28% na safra 98/99, cedendo espaço para o milho e feijão. As maiores retrações deverão ocorrer nas regiões de Curitiba e Irati, onde a área ocupada deverá ser 33% e 39% menor. Os produtores ficaram frustrados com o desempenho da safra passada, prejudicados pelas chuvas que provocaram o apodrecimento e queda na qualidade do produto.
Além disso, os preços do produto foram considerados muito baixos, em torno de US$ 4,06 a saca, informou a técnica do Deral, Rossana Catie. Com isso, a rentabilidade obtida com a cultura, de 6,95% sobre o custo total e 22,64% sobre os custos variáveis (pagamento de insumos e mão-de-obra), não tem estimulado os produtores. Os maiores gastos vão para mão-de-obra (41,18%), fertilizantes (13,56%), embalagens (11%) e agrotóxicos (9,29%).
A área ocupada vai cair de 6.345 hectares para 4.526 hectares, a maior redução verificada nos últimos anos. Além dos problemas de clima, os produtores paranaenses não têm condições de concorrer com a cebola argentina que invade o mercado todo ano, a partir do mês de março. No ano passado entraram 272.212 toneladas e para este ano está prevista a entrada de 237.500 t.
Para Rossana Catie, as importações vão continuar ocupando lugar da produção paranaense, enquanto o produtor não aplicar tecnologia para elevar a produtividade, que está muito baixa - em torno de 600 sacas de 20 quilos por hectare. Esse rendimento foi obtido com base numa área de cultivo de dois hectares, uso de tração animal e mão-de-obra familiar, sistema de produção que predomina em 70% das propriedades na região Centro-Sul.
Os baixos níveis de renda deverão eliminar muitos produtores da atividade, que estão descapitalizados para implantar sistemas de integração no plantio de cebola. Isso já vem ocorrendo com produtores dos estados de São Paulo e Santa Catarina.ArquivoCebola paranaense é prejudicada pelas importações da ArgentinaVânia Casado





