Paraná deve ficar com R$ 550 milhões
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terça-feira, 27 de janeiro de 1998
Vânia Casado 
ArquivoQuem recebe?Koslovski, nem todas poderão receber o benefício Quarenta cooperativas do Paraná, cadastradas no Programa de Revitalização (Recoop) poderão solucionar suas dívidas graças aos recursos de R$ 550 milhões, repassado pelo governo federal. Desse total, R$ 350 milhões serão aplicados na recomposição das dívidas vencidas e a vencer e o restante corresponde a injeção de recursos novos para capital de giro e investimentos. O Recoop deverá ser aprovado amanhã, na reunião do Conselho Monetário Nacional. Ele vai destinar R$ 2,5 bilhões para cerca de 400 cooperativas em todo país.
Ontem, o Diário Oficial da União publicou decreto do presidente Fernando Henrique Cardoso que cria o Comitê Executivo para analisar os projetos de revitalização das cooperativas de produção agropecuária, programa que está sendo chamado no setor como Proer da agricultura.
O presidente da Ocepar, João Paulo Koslovski, destacou que as cooperativas serão orientadas para projetos de fusões, parcerias e incorporações com o objetivo de agregar mais valor e reforçar a posição na comercialização. Mas somente as cooperativas que mantiverem o controle acionário é que serão beneficiadas com a ajuda. As cooperativas que estão negociando fusões com a transferência do controle acionário não serão atendidas.
A cooperativa terá que apresentar uma carta consulta solicitando o crédito, que será submetida ao comitê consultivo, responsável pela análise da viabilidade econômico-financeira da cooperativa. Se o pedido for aprovado, a cooperativa elabora um projeto definitivo incluindo a reestruturação técnica e econômica e um projeto de capitalização. Também terá que assumir programas de profissionalização da gestão e do quadro de funcionários, informou Koslovski. O objetivo do Recoop é redirecionar o sistema cooperativo para um processo mais competitivo, em sintonia com a globalização da economia.
Koslovski admite que das 66 cooperativas no Paraná, nem todas poderão ser enquadradas na Recoop pela inviabilidade do saneamento. Diante desse quadro ele tem certeza que o número de cooperativas no Brasil e no Paraná será reduzido, mas certamente as que ficarem serão muito mais fortes, acredita.
Cerca de 25% a 30% das dívidas das cooperativas com o sistema financeiro, são dívidas de cooperados que anteciparam a compra de insumos para o plantio, principalmente depois do Plano Real. Com o Recoop, os recursos do governo serão repassados às cooperativas e os agricultores que têm suas dívidas pendentes, vão assumir os débitos junto ao sistema financeiro. Nessa transferência os agricultores serão beneficiados com o alongamento da dívida por 15 anos.
As cooperativas terão prazo até 31 de março para apresentar as cartas-consulta e o comitê tem prazo de 30 dias para se pronunciar. Depois disso, a previsão é que os recursos sejam liberados até 31 de julho de 1998, prazo para o programa ser encerrado, afirmou Koslovski.
Junto com o Recoop o governo vai aprovar a renegociação das dívidas rurais acima de R$ 200 mil. A renegociação vai beneficiar 60 mil produtores, com dívidas que somam R$ 4 bilhões. No Paraná, a dívida junto ao Banco do Brasil é de R$ 91 milhões. Os agricultores poderão quitar seus débitos em até 20 anos, com títulos do governo federal que serão corrigidos pelo IGP e taxas de juros de 8%, 9% ou 10% conforme do valor da dívida. Com prazo de 10 anos, o valor do deságio, que é a compra de título do mercado, será de 10,37% sobre o principal.
A renegociação será válida inclusive para os produtores que já renegociaram a dívida, garantiram o ministro da Agricultura Arlindo Porto e o secretário executivo da Fazenda, Pedro Parente. O alongamento da dívida até 20 anos foi bem recebida no Paraná, que defendia a medida.


