Paraná deve colher 2,49 mi de sacas de café
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segunda-feira, 03 de maio de 2004
Carolina Avansini<br>Reportagem Local 
Antecipada pela seca que afetou algumas regiões produtoras, começou a colheita do café no Paraná. Segundo a engenheira agrônoma Margorete Demarchi, do Departamento de Economia Rural (Deral) da Secretaria Estadual de Agricultura e Abastecimento (Seab), a safra paranaense está estimada em 2,49 milhões de sacas, volume 27,7% maior que a safra passada, quando foram colhidas 1,95 milhão de sacas.
No Estado, o normal é que o café comece a ser colhido em maio. A falta de chuva, entretanto, permitiu o início dos trabalhos ainda em abril. Até a semana passada, 2% da área de 117.313 hectares tinha sido colhida. O restante das lavouras está em fase de frutificação (30%) e maturação (70%).
Margorete explicou que o aumento da produção se deve à recuperação dos cafezais inerente à bienalidade da cultura (safras alternadas com ano de alta produção seguido de ano com baixa produção). Apesar do número positivo, a última avaliação aponta uma redução de 1,4% em relação à estimativa inicial, que era de 2,52 milhões de sacas.
A quebra decorre da seca que afetou a região noroeste e parte da região norte do Estado. Em Maringá e Umuarama a estimativa de prejuízo chega a 13%, Nas demais regiões, de acordo com Margorete, a safra vem apresentando bom potencial de produção, o que pode compensar parte dessas perdas.
Ela comentou que os prejuízos verificados nas lavouras cafeeiras incluem a queda de chumbinho (frutos de menor tamanho e peso) e a diminuição da renda do café. A escassez de chuva verificada nos últimos três meses, além de prejudicar a safra e antecipar a colheita, também deve comprometer a produção da próxima safra.
O engenheiro agrônomo Francisco Barbosa Lima, do Departamento do Café (Decaf) do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) em Londrina, comentou que, em algumas lavouras do noroeste, o rendimento do café diminuiu para até 40%, ante a média de 50% obtida quando não há problemas. Cada saca de 60 quilos de café em coco rende, em média, 20 quilos de café beneficiado.
A saca de café tipo seis bebida dura tem sido comercializada entre R$ 180,00 e R$ 190,00 em Londrina. O mercado é firme e comprador, de acordo com o corretor Marcos Bacceti. Na semana passada, o produto enfrentou algumas baixas especulativas na Bolsa de Nova York, mas, ontem, fechou com 65 pontos de alta.
Barbosa comentou que o preço praticado hoje cobre os custos do produtor mas deixa poucos lucros. O preço histórico da commodity é de US$ 100, o que corresponderia a R$ 300,00 por saca, em média, no câmbio atual. ''A cotação não estimula os cafeicultores a investirem'', disse, acrescentando que a esperança do setor é que os preços comecem a ficar melhores no segundo semestre, quando começa a divulgação das estimativas para a safra de 2005, que deve ser menor que a atual por causa da bianualidade.
Ele lembrou que 2003 é ano de safra cheia, mas a produção brasileira terá de 10 a 12 milhões de sacas a menos que a super safra de 2002. A segunda estimativa da safra do MAPA prevê que o País produzirá entre 36,10 a 40,46 milhões de sacas, o que representa um aumento de 5,8% a 8% em relação ao volume anunciado em dezembro passado, de 34,11 a 37,47 milhões de sacas.


