Paraná defende união para a exportação
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quinta-feira, 27 de maio de 2004
Andréa Bordinhão<br> Equipe da Folha 
Santiago - A abertura da rodada de negociações entre a comitiva paranaense que participa da missão comercial do governo do Estado em Santiago, no Chile, com cerca de 100 empresários chilenos, na manhã de ontem, focou as potencialidades econômicas do Paraná e a possibilidade de integração entre o Estado e o Chile.
Hoje os 26 empresários que participam da comitiva têm reuniões com empresários chilenos para mostrar seus produtos e ver as necessidades do país. ''É preciso mostrar aos empresários que a cultura exportadora não é difícil'', afirmou a consultora em comércio exterior, Karina Polonio, que está no Chile representando seis pequenas e médias empresas da região de Londrina.
Adaptação foi a principal dificuldade que o sócio-proprietário da Móveis 3J, Jorge Hilgenstieler, encontrou quando resolveu começar a exportar. Sua primeira venda para o exterior foi em janeiro deste ano e por intermédio de terceiros. Mas, antes disso, houve um ano e meio de preparação para começar a exportar. ''Tivemos que desenvolver muitas amostras e fazer inúmeras alterações no nosso produto para atender os outros países'', contou. Agora, Hilgenstieler vai vender seu primeiro conteiner sem tercerização na próxima semana. Ele está no Chile justamente descobrindo as características do mercado local.
Para o diretor da Ferrosul, de Pato Branco, Eleomar Michelle, a missão é uma forma mais fácil de visitar os clientes. Isso porque ele normalmente viaja três vezes por ano, por 30 dias, de automóvel pelos países da América do Sul em busca de compradores. ''Faz três anos que tenho essa rotina. Consegui oito clientes'', contou.
União - O governo do Estado defende a idéia de união entre os empresários brasileiros que querem fazer negócios fora do Brasil. Para o coordenador de Assuntos do Mercosul do governo, Santiago Gallo, os empresários precisam se unir e formar associações e não concorrer entre si. Só assim terão força no exterior. Atualmente existem quatro regiões do Estado denominadas Arranjos de Produção Local (APLs), ou seja, que são pólos produtivos e já estão se organizando: das indústrias de confecções em Cianorte, de bonés em Apucarana, de móveis em Arapongas e de madeiras em União da Vitória.
''Se as pequenas e médias empresas trabalharem unidas elas podem concorrer com as grandes. Sozinhas elas não conseguem exportar'', explicou o consultor do Sebrae no Paraná, Pedro César Santos. Justamente para tentar alavancar negócios para todos, os empresários do ramo da madeira de União da Vitória formaram um núcleo para enviar a missão ao Chile. ''Temos 20% da produção nacional na nossa região. E a América Latina ainda é um mercado pouco explorado'', afirmou o coordenador do núcleo, Lodemir Canelo, enfatizando que para as empresas menores é mais barato começar pelos países vizinhos.


