Curitiba - As empresas de avicultura do Paraná decidiram reduzir em 8% a produção de frango de corte, de imediato. Numa reunião realizada ontem à tarde, em Curitiba, os empresários do setor concordaram em apresentar a um coordenador como vai se dar o plano de redução no alojamento de pintinhos em cada empresa no Estado. O empresário Evaldo Ulinski, proprietário da Avícola Jandele (BigFranco), de Rolândia, foi eleito pelos parceiros para monitorar o plano de redução.
As empresas do Paraná seguiram sugestão da União Brasileira de Avicultura (UBA), que prevê o mesmo índice para ser adotado nos demais Estados produtores. Essa decisão sairá de uma nova reunião, no próximo dia 10, em São Paulo. A previsão é que todos os Estados produtores sigam o exemplo do Paraná e adotem a redução de 8% sobre a produção nacional, que atualmente é de 320 milhões de pintinhos por mês.
A redução no alojamento de pintinhos foi a solução encontrada pelas empresas para enfrentarem a crise de superoferta de frango no mercado. ''Se as empresas não adotarem essa orientação como salvaguarda, serão sufocadas por si'', afirmou Roberto Kaefer, diretor da empresa Globloaves, de Cascavel, e diretor da Associação Nacional dos Produtores de Pintos (Apinco).
O presidente da Associação dos Abatedouros de Aves do Paraná (Avipar), Paulo Muniz, disse à Folha, na semana passada, que seria necessário uma redução no alojamento de pintinhos entre 15% a 20% para que o mercado atingisse um ponto de equilíbrio. Kaefer informou que os empresários paranaenses decidiram pelo percentual de 8% porque o Estado concentra muitas empresas exportadoras, que temem colocar em risco seus contratos.
A crise de superoferta de frango no País está sendo provocada pela queda nas exportações, que atingiu 14,7% no mês de maio. Segundo Kaefer, o setor esperava expandir as exportações em 5% este ano, mas essa projeção não deverá se confirmar. Para o empresário, se as exportações deste ano atingirem o desempenho do ano passado, quando foram exportadas 1,275 milhão de toneladas de carne de frango, as empresas vão se dar por satisfeitas.
A sobra das exportações, avaliada em 35 milhões de aves por mês em todo o País, não está sendo absorvida pela população, por falta de renda e excesso de gastos com os frequentes aumentos das tarifas públicas, justificou Paulo Muniz.

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