O Conselho Estadual de Sanidade Agropecuária (Conesa) não vai cumprir a instrução normativa baixada na sexta-feira pelo governo federal, recomendando o fim do bloqueio sanitário entre o Paraná e Santa Catarina até que o Ministério da Agricultura garanta que o problema está solucionado.
A decisão foi tomada ontem à tarde em Curitiba. O Conesa vai manter as barreiras que impedem a passagem de animais vivos suscetíveis à febre aftosa, de carne com osso e de outros produtos de origem animal que representem riscos.
O trânsito está permitido apenas para carne desossada e maturada, mas sob fiscalização rigorosa. Se esses produtos forem originários dos municípios da região Noroeste do Rio Grande do Sul, onde ocorreram os focos de febre aftosa, a proibição está mantida, reafirmou o Conesa.
A manutenção das barreiras será tema de nova reunião hoje em Brasília. O secretário da Agricultura, Antonio Poloni, vai pedir ajuda do ministro Pratini de Moraes para manter o bloqueio. Vai conversar ainda com o diretor do Departamento de Defesa Animal, o catarinense Hamilton Farias, responsável pelo texto da resolução que restringe o trânsito de animais da Região Sul do País em direção ao Paraná e aos demais Estados do Circuito Pecuário Centro-Oeste, permitindo que os animais e produtos de Santa Catarina tenham passagem liberada.
O Circuito detém 90 milhões de cabeça de gado e é integrado pelos seguintes Estados: Paraná, São Paulo, Distrito Federal, parte do Mato Grosso, Goiás e Minas Gerais. Na reunião com Hamilton Farias, estarão representantes dos três Estados do Sul. Poloni sabe que será pressionado a mudar a decisão adotada pelo Conesa. Mas, antecipou que a decisão será mantida, enquanto o Paraná não tiver a certificação que o abate sanitário está ocorrendo com rapidez e eficiência como determinam as regras da Organização Internacional de Epizootias. O Conesa está disposto a rever as medidas, assim que for informado tecnicamente de todas as medidas sanitárias que estão sendo adotadas no Rio Grande do Sul.
As barreiras serão mantidas enquanto o Paraná não tiver informações seguras do Ministério da Agricultura a respeito de um rastreamento completo sobre a origem dos focos de febre aftosa no Rio Grande do Sul, reafirmou o secretário da Agricultura, que presidiu a reunião do Conesa. Segundo Poloni, o entendimento do Conesa é que Rio Grande do Sul e Santa Catarina constituem área do Circuito Pecuária Sul e portanto está afetada pela ocorrência da doença.
Poloni explicou ainda que o Paraná foi considerado zona-tampão quando o Rio Grande do Sul e Santa Catarina foram considerados área livre de febre aftosa com vacinação. Naquela época, em 1996, os dois Estados fecharam as fronteiras com o Paraná por entender que o Estado oferecia riscos de contaminação através de animais e produtos vindos de outros estados da Federação. A mesma coisa está ocorrendo agora.
Poloni informou que hoje mesmo será marcada uma reunião com os representantes dos Estados do Circuito Pecuário Centro-Oeste, para discutir o destino das barreiras. ‘‘Afinal somos sozinhos responsáveis pela manutenção do status sanitário de toda uma região.’’ O secretário deixou claro que a manutenção da conquista da condição sanitária dos Estados considerados livres da aftosa exige esforço e agilidade na tomada de decisões.

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