Vânia Casado
De Curitiba
Enquanto os produtores de álcool mantêm o otimismo em relação ao aumento do consumo de álcool no país, em função do aumento no preço da gasolina, os representantes das revendedoras de veículos alertam que o consumidor só vai comprar carro a álcool se tiver vantagens econômicas. Esta foi a tônica do Simpósio do Setor Sucroalcooleiro, realizado ontem, na Assembléia Legislativa, em Curitiba.
Os participantes não poderiam esperar que horas depois o governo definiria medidas para disciplinar o mercado (a serem anunciadas hoje).
Usineiros, representantes do governo estadual e empresários do ramo automotivo discutiram alternativas para incentivar o consumo de álcool combustível, fabricação de carros a álcool e aumento da mistura de álcool à gasolina.
Do governo estadual os produtores querem a redução da alíquota de ICMS de 17% para 12% e que o imposto volte a ser recolhido pelas unidades produtoras, para que tenham acesso à restituição ou créditos em outras fases. Atualmente, o imposto é recolhido pelas distribuidoras. Além disso, os produtores querem usufruir dos benefícios da dilação de prazo do ICMS, de 30 dias, que seriam revertidos para capital de giro, disse o presidente da Alcoopar, Anisio Tormena.
Os produtores de álcool aproveitaram o encontro para se defenderem da acusação de que o preço da gasolina foi reajustado em função do aumento no preço do álcool determinado pelo cartel de produtores. Tormena rejeitou essa versão, argumentando que houve uma recuperação no preço do álcool, que nos últimos dois anos foi vendido por até R$ 0,15 o litro. No final do mês passsado o produto voltou a ser vendido entre R$ 0,39 e R$ 0,40 o litro.
Segundo o empresário, a recuperação foi viabilizada pela organização do produtor que fundou a Bolsa Brasileira de Álcool (BBA), formada pelos usineiros, que coincidiu com a desvalorização cambial, que deflagrou o processo de aumento no preço da gasolina.
Mas os usineiros não aceitam a pecha de vilões da história. Segundo Tormena, quando eles vendiam o álcool a R$ 0,15 o litro, na bomba o litro era vendido entre R$ 0,40 e R$ 0,50. Agora que estão vendendo o álcool a R$ 0,40, o preço na bomba avançou 100% e o álcool está sendo vendido por até R$ 0,80 o litro ao consumidor.

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