O Paraná cresceu menos que os dois outros estados da Região Sul de 2009 para 2010, quando atingiu um Produto Interno Bruto (PIB) de R$ 217.290 bilhões. É o quinto maior do País. As contas regionais de 2010 foram divulgadas ontem pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
Entre um ano e outro, o PIB paranaense cresceu 14,37%, o gaúcho, 16,96%, e o catarinense, 17,47%. Mas, quando a comparação é feita entre 2002 e 2010, os dados mostram um crescimento maior do Paraná (145%) em relação ao Rio Grande do Sul (139%). Santa Catarina cresceu 173% no período. Nenhum dos números foram corrigidos conforme a inflação.
O Paraná recuou 0,1 ponto na participação do PIB nacional em 2010. Foi de 5,9% para 5,8%. Os dois outros estados permaneceram como estavam (ver quadro).
O setor de serviços representou a maior contribuição no valor adicionado bruto do PIB paranaense, 64%. Na sequência, veio a indústria, com 27,8% e a agropecuária, com 8,5%. Situação muito semelhante é a do Rio Grande do Sul, onde esses valores são respectivamente: 62,1%, 29,2% e 8,7%. Já Santa Catarina tem uma participação maior da indústria em relação aos demais estados do Sul, de 34,1%, contra 6,7% da agropecuária e 59,2% dos serviços.
Em relação ao PIB per capita, apesar de estar entre as sete unidades da federação que ficaram acima da média nacional (R$ 19.766,33), a colocação do Paraná no ranking de 2010 é a 7, com R$ 20.813,98. Os outros estados da região estão mais bem colocados neste quesito: Santa Catarina com R$ 24.398,42 e o Rio Grande do Sul com R$ 23.606,36.
Para o economista e professor da Universidade Federal do Paraná (UFPR), Marcelo Luís Curado, o PIB per capita paranaense de 2010 revelado pelo IBGE segue um padrão histórico. ''Nós temos uma estrutura produtiva com algumas características que acabam levando a essa diferença em relação a Santa Catarina e ao Rio Grande do Sul'', afirma.
Ele explica que os outros estados têm um desenvolvimento econômico e social mais homogêneo. ''O Rio Grande do Sul tem um único bolsão de pobreza mais ao Sul do estado. Santa Catarina é bem homogênea'', afirma. O professor ressalta que o Paraná, ao contrário, conta com algumas regiões muito desenvolvidas como a de Curitiba e de outras grandes cidades, mas tem bolsões de pobreza em todo o seu território. ''O desafio é buscar um desenvolvimento mais homogêneo'', salienta.
Curado diz que o PIB per capita não é o melhor indicador para revelar o desenvolvimento de uma região. ''O IDH (Índice de Desenvolvimento Humano) é bem mais apropriado, uma vez que leva em consideração critérios como educação e taxa de natalidade. Se pegarmos os IDHs de Santa Catarina e do Rio Grande do Sul, esses estados também levarão vantagem'', declara.
O economista acredita que o Paraná caminha para se tornar a maior economia do Sul, superando o Rio Grande do Sul caso continue com o bom desempenho na produção de soja e na indústria automotiva. ''Mas isso não significa necessariamente desenvolvimento.''

Imagem ilustrativa da imagem Paraná cresceu menos em 2010, diz IBGE
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