Produtores paranaenses estão numa visita técnica de 15 dias em quatro países da Europa (Espanha, Franca, Alemanha e Italia) para conhecer novas alternativas de produção para a pequena propriedade. A visita está sendo patrocinada pela Federação da Agricultura do Paraná que tem como objetivo promover conhecimento aos produtores para que eles possam encontrar sistemas de produção mais competitivos que possam ser adaptados no Paraná.
A preocupação da entidade é promover a discussao entre seus associados sobre alternativas para a produção agrícola no Estado, que comeca a entrar numa fase de transição. Como o sistema fundiário no Estado é semelhante ao da Europa, ou seja, a maioria (90%) é composto por pequenas e médias propriedades, o destino escolhido foi esses países onde produtores estão sobrevivendo com a atividade em pequenas áreas. A diretoria da entidade acredita que a produção de frutas e verduras possa ser uma alternativa no Estado.
Atualmente o Paraná ainda é o maior produtor de grãos (soja e milho), mas os altos custos de produção começam a inviabilizar a produção. De acordo com Francisco Carlos Nascimento, diretor da Faep, a entidade está identificando que em pouco tempo os produtores do Paraná vão perder competitividade para novas fronteiras de produção de grãos que estão se deslocando para outras regioes do País como os cerrados (no Centro-Oeste) e nos Estados do Maranhão e Piauí.
O que assusta é que nessas regiões, o custo de escoamento da produção é muito menor. O custo do transporte não é tão alto e também não tem o problema do pedágio como no Paraná, observou Nascimento. Ele explica que nessas regiões a tendência é escoar a safra por transporte fluvial até os portos de Itaqui (MA) e Itacoatiara (AM), cuja localização geográfica é bem mais proxima aos países do Comunidade Economica Européia, onde está o nosso mercado consumidor.
Na Espanha, primeiro país visitado os produtores conheceram cooperativasde frutas e vegetais e uma propriedade agrícola onde toda a produção é feita em estufas. Chamou a atenção do produtor que as condições de produção no que se refere a clima e solo são bem piores do que as encontradas no Paraná. Para sobreviver, produtores e cooperativas buscam o mercado exportador.
Para se ter uma idéia, o clima na região Sudeste da Espanha é pré-desértico,com uma pluviosidade máxima de 200 milímetros por ano. Toda a produção de cítricos e vegetais na região de Murcia e Valência é viabilizada somente com irrigação. Sem isso é impossível produzir.
O drama é a escassez de água, captada em poços artesianos ou em sistemas de capitalização construídos pelo governo para armazenar água da chuva (quando cai). Mesmo assim, os produtores encontraram alternativas próprias para captação de água e seguem produzindo, mesmo que o custo de produção seja inferior ao de comercialização em algumas safras. Mas o alto custo que pagam pela água, em torno de US$ 25 a hora/água, ou R$ 55,00 a hora/água faz com que o custo de produção de frutas cítricas na Espanha seja dez vezes maior que na região Noroeste do Paraná.
O que garante a rentabilidade é que a exportação é direcionada para os países da Europa, onde o mercado é fechado e os governos protegem a compra de produtos dos países vizinhos. Para que o Brasil pudesse exportar laranjas in natura para a Europa ou na forma de suco, onde o custo de produção aqui é bem menor, teria que pagar uma sobretaxa oito vezes o valor do custo de exportação.
Dessa forma, eles têm o principal que é o mercado cativo e que remunera bem a produção local, coisa que não acontece no Brasil, concluiu Nascimento. Na comitiva, os produtores concluíram que o que falta no Brasil é elevar o nível de renda dos consumidores para que eles possam pagar melhor pelos alimentos que consomem. O produtor Sidnei Mateus, presidente do Sindicato Rural dos Produtores de Santa Cruz do Monte Castelo, disse que conhece as técnicas de padronização e classificação utilizadas na Europa para melhor seleção das frutas que são direcionadas à exportação. Mas no Brasil, todas as inovações em tecnologia e classificação de produtos têm um custo alto que não é remunerado pelo mercado. Os produtores não conseguem fazer o investimento porque o preço dos alimentos é muito baranto e eles não vão conseguir pagar.

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