Após o atraso inicial na colheita causado pelo excesso de chuvas ocorrido em junho, a safra paranaense de café chega ao estágio final, com 98% da área colhida até o início da semana. A estiagem dos dois últimos meses contribuiu para o avanço dos trabalhos. A produção estimada entre 1,5 milhão e 1,7 milhão de sacas nesta safra é 20% menor do que a previsão inicial, tendo sido afetada principalmente pelo clima desfavorável - geada em junho de 2011, estiagem em dezembro e janeiro, seguido pelas chuvas de junho.
As chuvas resultaram em queda acentuada de grãos e, mesmo os que permaneceram nos galhos, foram prejudicados pelo excesso de umidade. De acordo com o coordenador da área de Café do Departamento de Economia Rural (Deral), Paulo Franzini, uma avaliação prévia indica uma classificação subjetiva de que apenas 20% da produção será de café bom, enquanto a média dos anos anteriores era de 40% a 50%. Além disso, 50% da safra deve ser de café médio e 30% de qualidade ruim. Levantamento do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), da Esalq/USP, mostra que a produção nacional enfrenta condição similar, com grande volume de café de qualidade inferior.
Como consequência desse cenário, os grãos de qualidade tendem a sofrer valorização. Franzini explica que a cotação do café é ditada pelo mercado internacional. ''Este ano, os preços recuaram um pouco por conta da crise financeira dos países europeus, que reduziu a demanda pelo produto'', revela. No Brasil, a produção histórica de 50 milhões de sacas garante oferta interna para atender a demanda. Segundo o coordenador do Deral, a estimativa é de recuperação nos preços a partir de outubro, graças ao aumento do consumo internacional motivado pelo inverno dos países do hemisfério Norte.
Atualmente, a saca de 60 kg de café beneficiado no Paraná varia entre R$ 350 e R$ 380. A comercialização teve ritmo lento até final de julho, devido ao atraso da colheita, mas foi retomada em agosto e fechou o mês com índice de 42% da safra vendida. Segundo estimativa do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), o consumo brasileiro de café deve chegar a 20,4 milhões de sacas. Os estoques do Fundo de Defesa da Economia Cafeeira (Funcafé) acumulam, hoje, em 14 mil sacas.
Exportações
Entre janeiro e agosto deste ano, o café representou 6,6% de todas as exportações do agronegócio brasileiro. A receita obtida com a comercialização, no entanto, sofreu queda de 21,74%, totalizando faturamento de US$ 4,1 bilhões. O volume embarcado nos oito primeiros meses do ano também diminuiu 17,4%, somando 17,6 milhões de sacas.
De acordo com levantamento do Conselho dos Exportadores de Café do Brasil (CeCafé), os cafés diferenciados - arábica e conilon especiais - são responsáveis por 18% do volume total de café exportado e por 22% do faturamento obtido com as vendas externas. A mesma pesquisa mostra que a comercialização de julho e agosto gerou uma receita de US$ 951,18 milhões, valor 28,6% inferior ao do mesmo período do ano passado. Em volume, a redução foi de 6,8%, totalizando 4,64 milhões de sacas.
O principal comprador de café verde brasileiro continua sendo a Alemanha que apresentou queda de 27,59% no volume adquirido entre janeiro e agosto de 2012. O segundo principal importador são os Estados Unidos, que também teve recuo de 24,13% nas compras. Em três países, o volume importado de café brasileiro apresentou aumento: Reino Unido (13,77%), Eslovênia (13,46) e Suécia (3,20%).

Imagem ilustrativa da imagem Paraná conclui colheita de café
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