Paraná concentra maioria dos bloqueios de rodovias
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quarta-feira, 11 de novembro de 2015
Nelson Bortolin<br> Reporagem Local
Dos 15 bloqueios que os caminhoneiros mantinham no final da tarde de ontem em rodovias federais do País, 7 eram no Paraná. Minas Gerais, Santa Catarina e Tocantins tinham dois bloqueios cada. Mato Grosso e Mato Grosso do Sul contavam com um cada. Os dados são do boletim da Polícia Rodoviária Federal (PRF) divulgado às 17 horas. No fechamento desta edição, não havia nenhuma manifestação nas estradas estaduais, segundo a Polícia Rodoviária Estadual (PRE).
As paralisações no Paraná se encontravam em Apucarana (BR-376), Cornélio Procópio (BR-369), Mandaguaçu (BR-376), União da Vitória (BR-476), Ibaiti (BR 153), Guarapuava (BR-277) e Campo Largo (BR 277). Os bloqueios no trevo entre Londrina e Cambé (BR-369) e os dois de Arapongas já haviam terminado.
Ontem, foi um dia tenso em Apucarana, na manifestação do km 245 da BR-376. Quando a reportagem chegou ao local, por volta das 15 horas, policiais rodoviários federais estavam acalmando os ânimos dos manifestantes que reivindicam a renúncia da presidente Dilma Rousseff. O motorista de uma carreta cegonha havia sido agredido. Segundo o chefe-substituto do Núcleo de Comunicação da PRF no Paraná, Fernando Oliveira, uma viatura chegou ao local no momento da confusão e precisou escoltar o caminhoneiro até o posto policial. "Ele foi arrancado da cabine, rasgaram suas roupas, houve leves danos ao veículo e o motorista também saiu com lesões corporais leves", contou. O caso, segundo Oliveira, foi registrado apenas na PRF, já que o caminhoneiro não quis registrar queixa na Polícia civil.
Por volta das 16 horas, quando a viatura não estava mais no local, a reportagem presenciou o apedrejamento de uma carreta que também furou o bloqueio. Segundo o líder André Pereira, caminhoneiro autônomo de Apucarana, foram casos isolados que ocorreram porque os motoristas teriam jogado o veículo contra os manifestantes que tentavam bloqueá-los. "A orientação não é para isso (agredir). Não estamos aqui para vandalizar. A situação só chegou a esse ponto porque os motoristas não tiveram consciência e jogaram o caminhão em cima do pessoal", disse. Para ele, os caminhoneiros que furam o bloqueio estão "tentando desmoralizar" a greve.
Pereira garante que ninguém é obrigado a permanecer no local. "Eles têm a possibilidade de voltar a sua origem. Só não deixamos que sigam para o destino", disse. Mesmo assim, de acordo com o líder, se houver algum caminhoneiro "revoltado" querendo seguir viagem, os manifestantes não irão impedi-lo. Pereira estima que havia 200 caminhões parados ontem no local.
Integrante de uma organização chamada Movimento Consciente da Política, Caroline Scarpeline acompanhava a manifestação em Apucarana. "Nossos objetivos são os mesmos: a saída da presidente. Temos o mesmo grito que é Fora Dilma. Isso é o mais importante agora. As reivindicações dos caminhoneiros vêm depois", afirmou.
Parado no bloqueio desde as 23 horas da segunda-feira, o caminhoneiro empregado de Maringá Maurício Melquíados dos Santos não quis voltar para Curitiba, sua origem, e permaneceu no local. "Não acho que é assim que se tira uma presidente. Acho que ela não cairá desse jeito", declarou. Já o líder Pereira garante que o protesto só será encerrado após a queda de Dilma.
Apesar de os manifestantes alegarem que não pretendem negociar com o governo federal, segundo a Agência Estado, alguns líderes chegaram ontem a Brasília para tentar iniciar uma conversa com a Casa Civil. O grupo que se diz também insatisfeito com o resultado da greve que ocorreu em março e avaliam que o governo não cumpriu o que prometeu.