Paraná comprará energia de termelétrica argentina
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quarta-feira, 16 de maio de 2001
Carmem Murara De Curitiba 
A Tradener empresa da Copel que atua na comercialização de energia no mercado atacadista e o Grupo Desarrollo da Argentina assinaram ontem uma carta de intenções com os governos da província de Missiones e Estado do Paraná para importação de energia elétrica e de gás natural a partir de 2004. O compromisso é comprar 3 mil megawatts (MW) de energia a ser gerada por um conjunto de dez termelétricas em Missiones e revendê-los para a região Sudeste. O Projeto Energético do Mercosul (PEM) necessitará de investimento de US$ 2,9 bilhões, a ser feito integralmente pela iniciativa privada. Poderão ser gerados pela Tradener negócios num valor aproximado de US$ 64,8 milhões mensais.
O projeto está na fase de elaboração da parte financeira e de engenharia, processo que deverá estar concluído em meados do próximo ano e deve custar cerca de US$ 10 milhões. Se ele for aprovado, as obras para a construção das termelétricas e mais 800 quilômetros de linhas de transmissão da fronteira com Foz do Iguaçu até o interior paulista e de um gasoduto da Bolívia até Missiones começariam a ser feitas a partir do início de 2003.
O governador da província argentina, Carlos Eduardo Rovira, esteve ontem em Curitiba para firmar o compromisso oficial com o governador Jaime Lerner. No momento em que os dois países vivem problemas com crise energética e economia é importante apoiar um projeto destes, afirmou Rovira.
O governador Jaime Lerner aproveitou o momento de desabastecimento de energia no País para dizer que o Estado está apresentando soluções. Vamos oferecer o equivalente a 10% da produção nacional de energia. É uma resposta ao problema, disse Lerner. Toda a energia das termelétricas servirá para comercialização no Mercado Atacadista de Energia (MAE).
A negociação entre a Tradener e o Grupo Desarrollo começou há dois anos. O diretor-presidente da Tradener, Walfrido Avila, disse que a escolha da Argentina como sede das termelétricas se deu, entre outros fatores, por causa da carga mais baixa de impostos em relação ao Brasil. A energia produzida em Missiones chegará mais competitiva. Com custo menor, afirmou Avila.
O custo da energia térmica gira entre US$ 35 e US$ 40 o megawatt. Se a Tradener conseguir comprar a energia das termelétricas argentinas por US$ 30, por exemplo, estará intermediando uma operação de compra e venda no valor de US$ 64,8 milhões.
O presidente da Companhia Termelétrica Regional da Argentina (CTR), Francisco Sábato, disse que já há grupos interessados no empreendimento. Mas não quis citar nomes. A CTR é responsável pela parte do projeto que viabilizará a construção das 10 termelétricas. Há ainda uma empresa responsável apenas pela canalização do gás da Bolívia até a Argentina e uma empresa brasileira que comandará a execução das linhas de transmissão.
LernerO governador Jaime Lerner (PFL) disse ontem que seria injusto um racionamento de energia no Paraná. Segundo o governador, o Estado sempre contribuiu com energia elétrica para outras regiões do País. Lerner adotou um discurso contrário à política de racionamento para outros Estados do País.
O Paraná não pode aceitar a injustiça de algo que não é a solução, protestou, ao criticar o corte no fornecimento de energia elétrica por determinados períodos. Fazendo um trocadilho de palavras, Lerner disse que apagão é falta de luz na cabeça.
Na iminência das regiões Sudeste, Nordeste e Centro-Oeste ficarem no escuro se continuarem a consumir energia como estão fazendo o governo exclui os Estados do Sul e Norte do plano, por enquanto , Lerner propõe a contenção de gastos. Ele disse ter certeza de que basta uma racionalização do consumo para que os blecautes sejam evitados.
O governador citou ainda o desperdício de energia, que chega a 15% somente na fase de transmissão, segundo dados da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel). Tem que haver vontade política para solucionar o problema. Não poderíamos pôr em risco nossos empregos, afirmou.


