Curitiba - Pelo segundo mês consecutivo, o Paraná está recuperando empregos perdidos ao longo dos últimos anos. No mês de fevereiro foram criadas 10.770 vagas, o que representa um crescimento de 0,71% no mês, em relação a janeiro de 2003. O índice representa o melhor desempenho do Paraná na criação de empregos, desde fevereiro de 1990, comparou o economista Sandro Silva, do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Sócio-Econômicos (Dieese).
Como já ocorreu no mês de janeiro, a criação de empregos está ocorrendo mais no interior do Paraná do que na Região Metropolitana de Curitiba, que mantém um índice de desemprego em torno de 9%, conforme a Folha publicou anteontem. No acumulado do ano, o Paraná já contabiliza a criação de 15.702 vagas. A criação de empregos vem ocorrendo mais nos setores tradicionais da economia paranaense, puxado pelo setor agrícola, cuja renda vem crescendo nos últimos dois anos.
Conforme levantamento feito pelo Dieese, o Interior participou com 72,3% da criação de vagas em fevereiro, enquanto a Grande Curitiba participou com 27,6% dos empregos criados. Os setores que mais empregaram foram os de serviços, indústria da transformação e comércio. Para o Dieese, a recuperação do emprego no Paraná deve se manter nos próximos meses porque o setor agrícola, o que mais emprega no Interior, iniciou em março o período de contratações temporárias no campo.
De acordo com Silva, o bom desempenho do mercado de trabalho está se dando em setores beneficiados pela desvalorização cambial e o reflexo mais imediato é o aumento da contratação formal de trabalhadores.
Apesar da reversão da queda do emprego no Estado, as expectativas não são muito animadoras. De acordo com o economista Cid Cordeiro, do Dieese, não há perspectivas de redução acentuada do índice de desemprego, em decorrência da manutenção dos fundamentos econômicos semelhantes aos que vigoravam no ano passado, como taxa de juros em alta, crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) abaixo do necessário para promover um aquecimento da economia e aumento acentuado das tarifas públicas.

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