Curitiba Faltando menos de 1% para o encerramento da colheita da safra de verão e de inverno de 2003, o Paraná está contabilizando a maior produção de sua história, que deve atingir 30 milhões de toneladas. O resultado revela aumento de 33,7% sobre o volume colhido em 2002, sendo que 28,9% correspondem ao incremento da safra de verão, que atingiu 26,4 milhões de toneladas. A safra de inverno cresceu 84,7%, com produção de 3,5 milhões de toneladas.
Segundo o Departamento de Economia Rural (Deral) da Secretaria de Estado da Agricultura e do Abastecimento, a produção recorde soja, que atingiu 11,1 milhões de toneladas, influenciou no resultado final da safra deste ano. A produtividade das lavouras foi considerada a segunda melhor obtida até agora, com 3.025 quilos por hectare.
Outro fator foi o crescimento de 44% da área de milho safrinha e de 171,9% na produção do cereal. A produtividade média alcançada, da ordem de 4,32 toneladas por hectare, foi considerada excepcional na avaliação de Norberto Ortigara, chefe do setor de Previsão de Safras do Deral.
Ortigara destacou que a safra de trigo e triticale recuperou os níveis de produção de 1987 a 1989, com produção de 3,12 milhões de toneladas. A produtividade média do trigo foi a maior da história, com rendimento de 2,50 toneladas por hectare. A produção de aveia também deve ter produtividade alta, de cerca de 4 toneladas por hectare.
A safra praticamente já foi transformada em receita, estimada em cerca de R$ 27,2 bilhões. Esse resultado só não é maior porque o agricultor está com dificuldades para vender milho e trigo. Ainda faltam 3,65 milhões de toneladas de milho e 1,87 milhão de toneladas de trigo para serem vendidos no mercado.
Ortigara disse que o clima, favorável para a agricultura durante todo o ano, ajudou no desempenho das lavouras. Mas ressalta que o crescimento expressivo da produção agrícola revela uma mudança de perfil do agricultor paranaense.
Segundo Ortigara, o agricultor está melhor preparado, mais profissional e em melhor condições financeiras para investir em tecnologia de produção como sementes certificadas, preservação de solos e máquinas mais eficientes. Essa nova onda de agricultores surgiu depois da crise agrícola de 1996-97, que culminou com a renegociação das dívidas rurais.
Foram várias medidas adotadas no Congresso Nacional que permitiram a renegociação das dívidas dos agricultores com taxas de juros fixas e mais baixas em relação ao mercado. ''Isso foi fundamental para melhorar o capital dos agricultores, que também passaram a investir mais em aperfeiçoamento através de cursos e no conhecimento de outras tecnologias '', frisou.

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