Arquivo FolhaSoja e milho são as grandes estrelas da safra deste ano, com alta produtividade. Mas o café teve o maior salto: enquanto a área plantada permaneceu igual, a produção aumentou 47%. A Secretaria da Agricultura prevê ganhos crescentes de produtividade em todas as culturas nas próximas safras.Está confirmado: a agricultura do Paraná colhe nesta safra de verão uma produção de 16 milhões de toneladas de grãos, 4,5% superior à do ano passado. A alta produtividade do milho e da soja garantiu o bom resultado, apesar do fraco desempenho das culturas de algodão e feijão, segundo dados do Departamento de Economia Rural (Deral) da Secretaria Estadual de Agricultura e Abastecimento. A safra inclui soja normal e safrinha, milho normal e safrinha, café, amendoim, algodão, feijão e arroz.
A engenheira agrônoma Vera Zardo, do Deral, atribui a boa safra ao aumento recorde da produção de soja, que totalizará 6,6 milhões de toneladas, e à alta produtividade tanto da soja quanto do milho - reflexo dos investimentos no solo e do avanço da tecnologia, uma vez que a área plantada em todo o Estado permanece em torno de 5,9 milhões de hectares.
Ao contrário dos outros produtos da safra de verão, a soja teve um aumento de 7% na área plantada, saltando de 2,3 milhões de hectares, na safra anterior, para 2,5 milhões de hectares. A soja da safrinha contribuiu com 100 mil toneladas para o resultado final.
O milho também registrou um aumento na produtividade de 5%, passando de 3.450 quilos/hectares, na safra passada, para 3.600 quilos/hectares, em média. Algumas regiões tiveram produtividade ainda maior, como Toledo, com 5.500 quilos por hectare; Apucarana, com 5 mil quilos/ha, e Pato Branco, com 4.700 quilos/ha. A área total plantada se manteve em 1,87 milhão de hectares. A safrinha aumentou sua área em 22% e sua produção deverá superar um milhão de toneladas.
Outra surpresa foi o café. A técnica do plantio adensado aumentou a produção do grão beneficiado em 47%, passando de 67 mil toneladas no ano passado para 98.700 toneladas. A área permanece a mesma - 134 mil hectares -, mas as lavouras do Norte e do Norte Pioneiro conseguiram um aumento médio de produtividade maior.
A Secretaria de Agricultura prevê um aumento ainda maior da produtividade nas próximas safras, pois há três anos o Deral vem registrando mudanças nas técnicas do plantio do milho e de outras culturas. Para o engenheiro agrônomo Renato Ivan Correa, técnico do órgão, a compra de sementes top de linha aumentou, o que justifica, em parte, a maior produtividade. Um outro fator é o reforço tecnológico, como a compra de máquinas para o plantio direto. Segundo Correa, um produtor que investe de R$ 15 mil a R$ 20 mil em equipamentos compra sempre a melhor semente, aquela que dá a maior produção possível, para ter um retorno mais rápido do investimento.
O contraste com as outras culturas ficou por conta do feijão e do algodão. O algodão teve sua área reduzida em 65% - de 182 mil para 63 mil hectares. Em compensação, a produtividade melhorou: o rendimento do algodão em caroço é de 1.850 quilos por hectares, contra 1.570 no ano passado. A produção total de algodão no Estado deverá ser de 116.500 toneladas.
O feijão das águas teve perda de 7% na área plantada em relação à safra passada, quando foram cultivados 505 mil hectares, contra 470 mil hectares atuais. A redução na produção ficará em torno de 6%, pois deverão ser colhidas 376.400 toneladas. A produtividade do feijão foi prejudicada pelo excesso de chuvas em novembro e janeiro, principalmente na região de Francisco Beltrão.

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