Imagem ilustrativa da imagem Paraná cai para quarto em ranking de competitividade


O Paraná perdeu uma colocação e caiu para quarto no Ranking de Competitividade dos Estados de 2018 feito pelo CLP (Centro de Liderança Pública), em parceria com a Tendências Consultoria Integrada. Puxaram para baixo o desempenho comparativo os recuos em indicadores importantes como segurança pública, capital humano, potencial de mercado e infraestrutura. São Paulo lidera a lista, seguido por Santa Catarina e, agora, Distrito Federal.

O objetivo do levantamento é avaliar a atuação de líderes públicos no País e facilitar a tomada de decisões para investimentos do setor produtivo, de acordo com a necessidade de cada Estado. Foram analisados 68 indicadores, distribuídos em dez pilares temáticos considerados fundamentais para a promoção da competitividade e melhoria da gestão pública, que são infraestrutura, sustentabilidade social, segurança pública, educação, solidez fiscal, eficiência da máquina pública, capital humano, sustentabilidade ambiental, potencial de mercado e inovação.

Em tempos de eleições, a gerente de mobilização do CLP, Ana Marina da Castro, afirma que é possível aos bons gestores públicos determinar quais são os grandes gargalos para a população de determinada região e criar planos de ação que antevejam crises. "É importante retomar a importância do poder da política, porque vemos boas práticas pelo País", diz Castro, também uma das responsáveis pela metodologia do ranking.

Imagem ilustrativa da imagem Paraná cai para quarto em ranking de competitividade
| Foto: Ricardo Chicarelli 22-01-2013



Ela cita dois exemplos. O Espírito Santo, que assim como o Rio é bastante dependente do setor petroquímico, promoveu um forte corte de gastos e conseguiu sofrer menos do que o Estado vizinho com a drástica queda da cotação internacional do petróleo nos últimos anos.

Outro modelo é o programa Pará Profissional, que oferece ensino profissionalizante de forma totalmente integrada à demanda dos setores produtivos locais, aumenta a empregabilidade entre os mais pobres e gera empregos diretos na área de formação, em contraste com a média do País. "Temos quase a metade das pessoas que fizeram ensino técnico no Brasil que não atuam na área em que estudaram, um desperdício de dinheiro público por meio do Sistema S", cita a gerente de mobilização do CLP.

PESO
A segurança pública é um dos setores de maior peso dentro da pesquisa e teve uma queda significativa não apenas no Paraná, mas pelo País, nos últimos quatro anos, diz Castro. "Na média do Brasil, tivemos uma queda brutal nesse pilar. É preciso olhar caso a caso, mas uma possível explicação é que houve expansão do crime organizado pelo Brasil."

Ela complementa que esse não foi o único fator, já que é um tema que depende da gestão pública. No caso paranaense, cita o deficit carcerário como fator determinante. "São quase três vezes mais presos do que a capacidade, atrás apenas do Amazonas, que tem quase cinco", cita Castro. Ainda, o Paraná se sai bem na atuação do Sistema de Justiça Criminal, com a quarta colocação. Mas, quando o assunto são mortes a se esclarecer, é apenas o 15º, além de 20º em segurança no trânsito e 21º em qualidade da informação sobre criminalidade.

Houve recuos também relacionados à crise econômica do País. Os pilares capital humano (de sétimo para oitavo) e potencial de mercado (de 18º para 19º) estão mais relacionados a questões macroeconômicas, diz Castro. "São questões relacionadas ao tamanho do PIB [Produto Interno Bruto], à média de crescimento do PIB, mas também à pirâmide etária. E o Paraná é um Estado envelhecido e que sofreu com questões de perda de emprego", completa.

Ela lembra que é preciso que, mesmo que a crise seja um fator externo, assim como a decisão de investimentos privados, é preciso atacar o problema com um plano de ação público. "É possível antecipar tendências e tomar medidas concretas."

Por outro lado, o Paraná ganhou posições em educação, indicador em que passou da sexta para a quarta colocação, em eficiência da máquina pública, de sexto para segundo, e em solidez fiscal, com a subida de 12º para décimo. Mesmo assim, a pesquisadora lembra que é necessário se atentar para eventuais indicadores ruins.

No ensino, o Paraná está entre os piores na avaliação da educação. "Isso mostra que o Estado não faz uma avaliação contínua da qualidade do que oferece", diz. "Mas teve um destaque positivo no Pisa e no Ideb, que são programas que também medem a qualidade do ensino. O problema é que o Paraná tem perdido frequência no ensino médio, o que significa uma inclusão menor", explica.

Economista destaca também infraestrutura

A Eficiência da Máquina Pública e a Solidez Fiscal são dois fatores a se destacar no Paraná no estudo do CLP (Centro de Liderança Pública), diz o consultor econômico da Acil (Associação Comercial e Industrial de Londrina), Marcos Rambalducci. O Estado subiu de sexto para segundo e de 12º para décimo nos indicadores, respectivamente. "É importante porque mantém a solvência fiscal e consegue manter o fluxo de pagamentos. O Estado também evoluiu em infraestrutura, como podemos ver na região de Londrina, mas talvez outros tiveram avanços mais significativos", diz.

CONTINUE LENDO:
- Violência afeta resultado de forma generalizada no País

mockup