Paraná bate recorde no abate de aves
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 22 de março de 2016
Fábio Galiotto<br>Reportagem Local 
O Paraná bateu o recorde no abate de aves no primeiro bimestre deste ano, com 284,23 milhões de cabeças, conforme divulgou ontem o Sindicato das Indústrias de Produtos Avícolas do Estado do Paraná (Sindiavipar). O número é 14,7% superior às 247,62 milhões do mesmo período de 2015 e 9,9% acima do teto anterior, de 258,52 milhões nos dois primeiros meses de 2014. Contribuíram para o resultado o bom momento para exportações, motivado pela disparada da cotação do dólar, e o aumento da demanda no mercado interno, diante do encarecimento da carne bovina.
Foram 142,17 milhões de cabeças abatidas em janeiro e 142,06 milhões em fevereiro deste ano, de acordo com o Sindiavipar, com a maior soma desde que a entidade passou a registrar a produtividade, em 2003. Houve ainda elevação na quantidade de proteína de frango exportada no Estado, que passou de 206,32 mil toneladas no primeiro bimestre de 2015 para 217,18 mil toneladas neste ano, alta de 5,2%. A receita do segmento ficou em US$ 299,931 milhões e representa 34% dos embarques de aves do País no período.
Apesar do bom momento da indústria, os produtores ainda reclamam dos baixos valores que recebe, de integradoras, conforme publicado pela FOLHA no último dia 19. Houve aumento nos custos, principalmente pela alta na tarifa de energia elétrica e nos valores de outros insumos, mas o pagamento por ave não acompanha a variação.
União
A reportagem não conseguiu contato com o presidente do Sindiavipar, Domingos Martins, sobre os preços na tarde de ontem, porque ele estava em viagem. A entidade havia divulgado na manhã de ontem que o avanço representa a união de todos os envolvidos no setor. "Crescemos em número de indústrias, que estão sempre se aperfeiçoando e modernizando em busca de uma produtividade maior e de forma sustentável. Um trabalho que tem sido realizado pelas empresas em conjunto com entidades do setor. No campo, contamos com a parceria com os produtores integrados, que, empenhados em produzir com qualidade, ajudam a fortalecer a avicultura do Estado", afirma Martins, em nota.
Para o diretor secretário da Associação dos Criadores de Aves de Londrina (Avinorte), Altair de Sousa Severgnini, é fato que houve elevação do volume de exportações e do consumo interno de frango. "A questão é que o pagamento está com uma defasagem de uns três anos", diz, ao apontar que chegou a receber R$ 0,90 por ave há um ano e hoje recebe R$ 0,60. "Vendem bem o que produzimos para fora, mas o lucro não é dividido conosco", completa.
Médica veterinária do Departamento Técnico Econômico da Federação da Agricultura do Paraná (Faep), Ariana Weiss Sera considera que o mercado está muito favorável no setor avícola. "A proteína bovina está com preço alto devido às exportações e temos uma disponibilidade boa de frango, com aumento do consumo interno", conta. "Esse é o lado da indústria, dos exportadores, de quem consegue buscar novos mercados, mas na outra ponta está o produtor, para quem o custo de produção tem aumentado muito", explica.
Ariana lembra que não há regulamentação legal para definir os valores pagos a integrados, que são os avicultores, e as integradoras, que recebem as aves. Entretanto, diz que houve consenso no ano passado entre indústria e produtores para uma redação para o Projeto de Lei 6.459, que tramita desde 2013 na Câmara Federal e que deve regular a questão. A proposta está pronta para ser votada no Congresso. "É uma segurança jurídica que o produtor terá para conseguir informações e ter um diálogo mais sólido na negociação", diz.



