O Paraná deve dobrar a área destinada ao reflorestamento de produção dentro de 10 anos. A meta foi apresentada quarta-feira pelo diretor de Desenvolvimento Florestal do Instituto Ambiental do Paraná (Iap), Mariano Félix Duran, durante o 2º Encontro Estadual do Programa Florestas Municipais, em Campo Mourão. Segundo ele, a área atual, de 516 mil hectares de pinus e eucalipto, deve ganhar mais 400 mil hectares - hoje são 400 mil hectares de pinus.
Apesar do aumento da área destinada ao reflorestamento de produção, Duran disse que a meta não inclui a diminuição de áreas para a agricultura. ‘‘Não queremos competir com a agricultura’’, frisou. ‘‘Temos muitas áreas ociosas que podem ser usadas’’, explicou. Segundo ele, o Paraná conta com 250 mil hectares de áreas que podem ser destinadas ao reflorestamento de produção sem que o governo precise mudar a atual legislação ambiental.
‘‘Basta dar uma motivação aos proprietários dessas terras’’, ressaltou Duran. Para os outros 150 mil hectares necessários para o cumprimento da meta, ele diz que serão necessárias pequenas alterações na legislação. ‘‘São áreas degradadas’’, explica. Motivos econômicos para a ocupação dos 400 mil hectares da meta, de acordo com Duran, não faltam. Ele diz que a empresa que arrendar áreas pode obter lucro pagando em equivalência produto ou mesmo parte da produção.
No exemplo apresentado ontem em Campo Mourão, Duran disse que uma empresa que investir em reflorestamento de produção pode ter, ao fim de 20 anos, um retorno de 13% sobre o investimento aplicado. Isso mesmo depois dele pagar 30% do volume explorado pelo arrendamento ou de pagar oito sacas de milho por hectare pelo sistema de equivalência-produto. O exemplo vale para a região Centro-Sul do Estado, onde a produção de madeira é maior.
De acordo com Duran, o Paraná deixou de ter déficit anual na produção de madeira há apenas três anos. ‘‘Hoje nós platamos mais do que cortamos’’, disse. A realidade era bem diferente até 1996, quando o déficit anual era de aproximadamente 20 mil hectares. Já no ano passado, a área plantada ficou 39 mil hectares acima da área cortada. Um dos principais motivos para isso é o Programa Floretas Municipais, que hoje está presente em 300 municípios.
Duran disse ainda, durante o seminário, que em 1999 apenas 5% da madeira consumida no Estado foi proveniente de matas nativas. Em 1997 esse índice era de 7% e em 1998, de 6%. ‘‘O uso da madeira nativa está caindo gradativamente’’, ressaltou. O 2º Encontro Estadual do Programa Florestas Municipais prosseguiu ontem no Teatro Municipal de Campo Mourão. Foram realizadas palestras pela manhã e visitas técnicas à tarde.

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