Arquivo FolhaSó vantagensFábricas de autopeças buscam no Paraná o sindicalismo mais fraco e incentivos que não têm em São Paulo A chegada das montadoras ao Paraná deverá provocar, nos próximos três anos, a atração de 80 empresas do setor de autopeças atualmente instaladas em São Paulo. A estimativa é da Associação Brasileira da Indústria de Peças Automotivas (Abipeças), a partir de uma pesquisa feita entre suas 540 associadas. As empresas virão para o Estado a fim de competir com as fornecedoras oficiais, que estão se transferindo para o parque fabril das montadoras Renault, Chrysler e Audi/Volkswagen.
A Abipeças não sabe precisar quanto isso representaria em investimento total e criação de postos de trabalho. ‘‘É muito difícil prever investimento e geração de emprego, mas para cada dólar que a montadora investe, o setor de autopeças coloca R$ 1,50’’, afirmou o assessor para Assuntos Governamentais da Abipeças e Sindicato da Indústria de Peças (Sindipeças), Paulo Osório Silveira Bueno.
As duas entidades estimam que quase 80% das empresas têm suas matrizes instaladas na Grande São Paulo, principalmente na região do ABC paulista. O restante está espalhado pelos Estados de Minas Gerais, Rio Grande do Sul e Rio de Janeiro. Muitas das empresas, que têm intenção de vender peças para as montadoras, estariam interessadas em transferir suas sedes para o Paraná, deixando apenas uma representação em São Paulo. Aqui, elas teriam um sindicalismo mais fraco e teriam a garantia de incentivos fiscais, que não possuem em São Paulo.
‘‘Algumas vão abrir filiais e outras colocarão o centro dos negócios aqui, mas nunca vão desativar em São Paulo, porque lá está o centro financeiro e o gerador de tecnologia’’, afirmou o assessor da Abipeças. Paulo Bueno, que esteve ontem em Curitiba, afirmou que as empresas paulistas terão que vir de maneira organizada para o Paraná. Ele disse que o Sindipeças e o governo do Estado anunciam dentro de algumas semanas a formação de quatro ou cinco pólos industriais no interior do Estado, para onde migrariam essas fornecedoras. ‘‘Cada pólo concentraria entre 10 e 15 empresas’’, afirmou Bueno.
O assessor do Sindipeças e Abipeças acredita que a indústria de autopeças nacional terá um espaço garantido com as montadoras. ‘‘Muitas empresas (fornecedoras oficiais das montadoras) vão fazer apenas uma maquiagem aqui. As peças serão produzidas em outros lugares’’, disse.
Hoje, o setor de autopeças emprega 193 mil trabalhadores no País, mas já chegou a empregar 340 mil. Segundo o Sindipeças, o segmento passa por um período de baixa lucratividade. ‘‘O setor de autopeças não dá lucro. Trabalha com lucratividade perto de zero. O lucro está concentrado na montadora’’, afirmou Bueno. O setor de autopeças deverá produzir R$ 19 bilhões neste ano. No ano passado, foram R$ 18,3 bilhões. Deste total, cerca de R$ 4,5 bilhões foram exportados. A indústria de peças é a segunda maior exportadora do País, ficando atrás apenas da agricultura.

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